Redes Sociais O novo espaço do consumidor
Para além de um mundo de fofocas, preconceitos e pequenas polêmicas, as redes sociais
têm se colocado como uma nova e poderosa ferramenta de comunicação do mercado,
capaz de dinamizar de forma inédita a relação entre empresas e consumidores

Em sua origem, as redes sociais nada
mais são do que pessoas conectadas
de forma a fazer fluir ideias, informações
e experiências. Uma complexa e quase
infinita combinação de conteúdos, perfis,
opiniões, visões, experiências e perspectivas,
promovendo a interação dos mais diferentes
grupos e pessoas.
São blogs, fóruns, podcasts, micro blogs,
lifestreams, bookmarks, redes, comunidades,
wikis, e vlogs, que estão levando o conceito de
rede às suas últimas consequências. E o mercado
mundial, e também o brasileiro ,começam a embarcar
nessa nova viagem.
As redes e as empresas
Realizada no último mês de outubro pelo Instituto
Brasileiro de Inteligência de Mercado – Ibramerc,
a pesquisa Panorama do Uso Estratégico
das Redes Sociais Pelas Empresas no Brasil, entrevistou
251 gestores de marketing de grandes
empresas brasileiras, e identificou que 65% dos
participantes já realizaram ações corporativas
específicas dentro das redes sociais.
Segundo Richard Lowenthal, diretor executivo
do Ibramerc, apesar dessa expressiva participação,
grande parte das empresas no Brasil ainda
está em período de experimentação, mas as perspectivas
são bastante promissoras. “Na medida
em que você abre um canal de comunicação, isso
pode ser utilizado para vários fins. Se pretende
lançar um novo produto, pode saber qual é a
preferência dos consumidores, o que eles estão
buscando, identificar com maior clareza o objeto
de desejo das pessoas”, explica.
Opinião semelhante é compartilhada pelo engenheiro
e consultor Luciano Palma, professor do
curso de Pós Graduação do SENAC, na disciplina
Web: Estratégias de Inovação e Tecnologia. “Algumas
empresas mais vanguardistas já colheram bons resultados, porém boa parte da adoção [das
redes sociais] provavelmente deve acontecer no
início de 2011. Nos EUA e Reino Unido, 2010 foi
o ano em que as empresas descobriram as redes
sociais e criaram ótimos cases”.
Foco no público jovem
alcançado sucesso no trabalho de interação com
os consumidores nas redes sociais estão os promotores
de eventos presenciais e shows. E a explicação,
afirma Palma, é absolutamente lógica:
“se as novas mídias permitem estabelecer mais
conexões entre as pessoas, elas sentirão uma
necessidade ainda maior de se reunirem e se conhecerem
pessoalmente. Desse modo, eventos e
shows terão um papel fundamental no processo
de flutuação entre mundo real e virtual que as
pessoas estão vivendo”, analisa.
A diretora de conteúdo da Agência Cartaz, Leticia
Zioni, reforça essa explicação ao destacar a
importância que as mídias assumiram em todo
trabalho realizado pela agência, que hoje se especializou
em assessorar grandes empresas em
projetos de música e novas mídias direcionadas
ao público jovem.
“Nosso primeiro trabalho de redes sociais foi
a cobertura do São Paulo Fashion Week, nas
edições de Inverno 2008 e Verão 2009. O projeto
reuniu alguns dos principais blogueiros do
universo fashion para gerar notícias durante o
evento em um só canal. Ativamos redes sociais
como MySpace, Twitter, Facebook, Flicker e Orkut para disseminar a cobertura do evento junto
ao público jovem. Com certeza está foi uma das
primeiras iniciativas do mercado em cobrir eventos
via twitter”, relata.
Hoje a Cartaz conta com uma equipe de 20
colaboradores apenas na redação da área de conteúdo
e ativação em redes sociais, responsáveis
pelo atendimento de diversos clientes relacionados
com o mundo cultural e artístico da cidade
como a Galeria Soma, 18º Festival Mix Brasil
de Cinema, e locais de eventos e baladas como
os bares Volt, Z Carniceria e Vegas Club, entre
muitos outros.

“Com certeza está foi uma das
primeiras iniciativas do mercado em
cobrir eventos via twitter” Letícia Zioni, sobre o São Paulo Fashion Week 2008

O melhor emprego do Brasil
Totalmente inserido nas redes sociais, o concurso
O Hóspede, desenvolvido pela Agência Escala/
SP para o resort Costa do Sauípe, elegeu um
embaixador digital, que terá como missão relatar
nas redes sociais - por meio de fotos, vídeos e
posts - sua experiência em morar por seis meses
no luxuoso resort, que fica a pouco mais de cem
quilômetros da cidade de Salvador
O vencedor do concurso, Guilherme Missumi,
utilizará seu blog e páginas pessoais nas redes
sociais (twitter e facebook) para relatar toda a
experiência vivida.
Segundo Dida Dourado, diretora de Negócios
da Escala/SP o concurso - Inspirado em uma
ação realizada na ilha Hamilton, uma das 600
que formam a Grande Barreira de Corais da Austrália
- superou todas as expectativas. “Tivemos
três milhões de pageviews na página do concurso.
Foram mais de 200 mil citações do Resort
no Twitter e um aumento de 60% de exposição
da marca no Google. O acesso ao perfil da marca
no Facebook também cresceu mais de 100% e a
repercussão em mídia espontânea gerou mais de
dois milhões de reais”.

Uma nova relação entre
consumidores e empresas
A força desse processo de interação que mobiliza
milhões de internautas em todo o mundo
tem transformado de forma dramática as relações
entre consumidores e empresas. Outra pesquisa,
dessa vez realizada pela Nielsen no ano de 2009,
mostra que 90% das pessoas confiam em recomendações
de pessoas que conhecem, enquanto
somente 62% confiam em anúncios de TV, 59%
em revistas e 55% em anúncios no rádio. O consumidor
passou a ser o melhor vendedor que as
empresas podem ter.
“Se antes a comunicação era unidirecional;
um broadcast da empresa para o consumidor,
hoje ela é um socialcast, onde além da empresa
falar com o consumidor, este tem uma via de retorno,
mas acima de tudo, ele tem uma conexão
com o consumidor ao lado, que está conectado
a outro consumidor, e outro, e outro, formando
uma rede onde a informação flui, seja ela gerada
pela empresa ou pelo consumidor. O consumidor
passou a ter voz”, explica Palma.
A construção de um novo modelo
Dentro deste cenário onde prevalece o contato
direto e interativo com clientes e consumidores,
algumas empresas começam a trabalhar para transformar esses novos desafios em verdadeiras
vantagens competitivas, entendendo que estão
diante de uma nova forma de fazer negócios.
Apoiada nessa percepção, que valoriza e fortalece
a posição do consumidor na hora de reivindicar
melhores serviços e produtos, a rede de supermercados
Wal-mart tem realizado diversas ações
focadas no engajamento social, concursos culturais
e até vendas diretas. “Como engajamento,
podemos citar nossa participação na campanha
de redução de impostos para games e consoles,
chamada Jogo Justo. Atuamos como apoiadores
da ação, que repercutiu de maneira massiva nas
redes sociais, fazendo com que a campanha conquistasse
o Trending Topics Mundial, no Twitter”
afirma Roberto de Oliveira, diretor de marketing
e e-commerce do Wal-Mart Brasil.
Outro exemplo apontado por Oliveira foi a ação
de varejo denominada Juntos pelo Desconto
Visa, onde, em parceria com a empresa de cartões
de crédito e débito Visa, a rede varejista ofereceu
descontos especiais na compra de determinados
produtos. Ação também resultou na conquista
do prêmio Trending Topics Brasil, conferindo
novamente ao Wal-mart, a primeira posição dos
assuntos mais falados no Twitter.
Quem fala bem, pode falar mal
Dentro do mundo digital as empresas deixaram
de ser as donas da verdade e passaram a
conviver com um volume gigantesco de manifestações
que, muitas vezes, contestam seus
produtos e serviços. Para fazer frente a essa nova
e crescente demanda, muitas empresas começam
a desenvolver ações nas redes sociais, sem estarem
preparadas para isso e podem enfrentar mais
problemas.
“Quando você abre suas portas para ouvir os
consumidores, de certa forma está abrindo um
espaço para que eles possam reclamar, colocar
sugestões e também transmitir uma visão negativa.
A empresa tem que estar preparada para
receber todas as interações que seus clientes e
o mercado passam a realizar. É importante que
esse trabalho esteja vinculado ao planejamento
estratégico dentro da corporação ou em breve os
gestores estarão se perguntando qual é o resultado
prático dessas ações”, pondera Lowenthal.
Afinal, de onde vem a credibilidade?
Independente da forma de comunicação
adotada, para uma empresa desfrutar de credibilidade
junto aos consumidores, deve fazer sua
lição de casa que é: fornecer produtos e serviços com qualidade. Sem isso, será muito difícil reverter
uma crise de imagem junto ao mercado.
Contudo, segundo o consultor Luciano Palma,
algumas atitudes podem ser adotadas para reverter
um quadro negativo, como dar destaque
e visibilidade a opiniões positivas que tenham
sido proferidas sobre a marca, que podem diluir
possíveis os comentários negativos, bem como
buscar uma interação direta com o consumidor
descontente.
“Esta aproximação, porém, precisa ser amistosa
e respeitosa, com o reconhecimento da falha e
uma demonstração legítima da intenção de corrigi-
la. Tentativas de silenciar um consumidor
descontente por uso do poder da empresa podem
ser mais trágicas do que não tomar nenhuma
atitude, porque a rede sempre possui caminhos
alternativos”, enfatiza o consultor.
Custo x benefício
O baixo custo desse tipo de ação também é
outro fator que tem atraído as empresas para
tentar atingir e conquistar novos consumidores.
De acordo com diretora de conteúdo da agência
Cartaz, Letícia Zioni, o grande diferencial das
redes sociais é que qualquer empresa pode fazer
parte desta mídia, basta querer. “O interessante
desta área é que não existem fórmulas, inclusive
para investimentos”, ressalta.
Mas, na hora de decidir como falar com seus
potenciais consumidores, o valor do investimento
não deve ser o único ponto a ser considerado.
Para a Dida Dourado, da Agência Escala/
SP, mais do que a preocupação com o valor dos
investimentos, o que deve mobilizar as empresas
é a real percepção das vantagem que as redes sociais
oferecem. Embora, de fato, se comparada
com outras mídias mais convencionais, a relação
custo x benefício se mostre muito favorável.
“Não utilizamos redes sociais porque custam
menos ou porque estão na moda – utilizamos
quando elas falam com o target em questão.
Sempre nos pautamos pela função e pela pertinência
da comunicação, sem deixar de lado,
obviamente a forma e o impacto. Acreditamos
que as mídias não são excludentes, e que a melhor
estratégia é aquela que promove uma melhor
combinação das plataformas, privilegiando
a interação, e onde cada uma tem o seu papel
fundamental”, afirma.

Principais redes
Dentre as redes mais populares o Facebook
disparou no resto do mundo como a plataforma
com maior número de usuários (em torno de 500
milhões), mas, no Brasil o Orkut ainda reina com
ampla margem. No entanto, o número de usuários
não é a única variável a ser analisada. O Linkedin
não é campeão em números, mas tem uma
relevância enorme quando o assunto é recolocação
profissional. O Twitter é imbatível quando
o assunto é a disseminação de uma informação.
Cada plataforma tem sua característica e as empresas
precisam conhecê-las e mapear às oportunidades
associadas aos seus negócios.
Devido à característica de transparência associada
às Redes, uma ótima maneira de olhar
para toda essa evolução é sob a ótica da Justiça.
Num mercado com relações mais abertas entre
empresas e consumidores, com todos os processos
acontecendo de forma mais transparente, a
tendência é o consumidor encontrar o fornecedor
que o esteja realmente tratando com mais
respeito, eficiência e qualidade. Ele se fidelizará
e proporcionará o sucesso àquela empresa que
mais merece: aquela que realmente respeita o
consumidor e trabalha com foco no cliente. Faça
sua escolha.
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