Sumário:
- Administre seus negócios
- De olho na manutenção
- Espaço previdência
- Volante seguro
- Táxi Cultura
- Mundo Táxi
- Perfil Taxista
Motorista de Frota um profissional a serviço da cidade
Responsáveis pelo transporte de 2 milhões de passageiros, os motoristas
de frota percorrem cerca 20 milhões de km todo mês
Por Pedro Junqueira

O intenso processo de
profissionalização que as
empresas de frotas vêm
continuamente realizando, com
um alto índice de renovação dos
carros e um padrão de atendimento
focado na qualidade, tem
fortalecido a imagem desse segmento
junto à população.
Contudo, os motoristas de frota,
ainda enfrentam enormes desafios
que precisam ser superados, para
que possam ocupar o lugar que,
de fato, corresponde à qualidade
dos serviços que prestam à cidade
e à população.
Composto por cerca de quatro mil
motoristas, o segmento é hoje responsável
pelo transporte de cerca
de 2 milhões de pessoas e percorre
mais de 20 milhões de quilômetros
ao mês, segundo dados da Adetax
– Associação das Empresas de Táxi
de Frota de São Paulo.
Porque trabalhar na praça?
Apontado como uma boa opção
para quem deseja iniciar na atividade
taxista, o setor de frotas
abriga profissionais com diferentes
origens, necessidades e objetivos.
Desde taxistas recém-formados,
passando por motoristas que venderam seu próprio carro
e querem continuar trabalhando,
e até profissionais que têm seu
próprio táxi ou são prepostos,
mas que, momentaneamente, estão
sem carro por motivos como
furto, roubo, batidas, ou problemas
mecânicos “A frota é a porta de entrada para
o taxista. Eu gosto porque, hoje,
a manutenção de ter um carro em
São Paulo é alta, o seguro é alto e a
frota disponibiliza um carro sempre
novo e revisado”, afirma Joselito
Nunes Ribeiro, taxista de frota há
três anos, e que entrou na profissão
depois de passar pelo comércio.
Os desafios das ruas
Mas nem tudo é tranquilidade
quando se fala do dia a dia do
motorista de frota. Muito ao contrário,
os desafios são imensos:
trânsito caótico, clientes irritados
e com muita pressa, a responsabilidade
de pagar a diária do carro,
a violência, e diversos outros.
Para Gilmar Nogueira, um ex-motorista
de diretoria, atualmente
com 50 anos, e que começou a
trabalhar com táxi há dois anos,
as dificuldades se acumulam. “Saí
do último emprego e, por causa da
idade, não consegui outra colocação.
Então a opção é o táxi. Mas
é muita guerra, muita luta, muita
batalha, principalmente para o
motorista de frota”.
Multas e desrespeito
Dentro os problemas enfrentados,
Nogueira coloca a atuação do
poder público, especialmente da
CET – Companhia de Engenharia
de Tráfego, entre os mais graves e
que causam maiores transtornos.
“Se você fizer uma pesquisa com
todos os taxistas de frota, vai ver
que 99% estão com a pontuação
estourada. Você não pode parar
em lugar nenhum para pegar um
passageiro que é autuado. Se
queimar uma faixa de retenção,
você é autuado. Não tem jeito, a
perseguição é muita”, desabafa.

Desafio profissional
Mais específico em sua crítica,
Marcelo Tozetti, um motorista com
40 anos de idade e dez anos de trabalho
na frota, lamenta o desrespeito
que os motoristas sofrem no
exercício do seu trabalho. “Não somos
reconhecidos como profissão,
ser taxista é só taxista e não é visto
como uma profissão. A CET não nos
respeita em momento algum. Já parei
para desembarcar um deficiente
físico em um lugar proibido, mas
não ia deixar um deficiente físico
atravessar a rua na cadeira de rodas.
O carro da CET parou do meu
lado para me repreender”, relata.
Joselito Nunes Ribeiro também
viveu uma situação semelhante:
“Às vezes, a gente tem que parar
em fila dupla para ajudar senhoras
ou cadeirantes. O porteiro avisa
que a pessoa está descendo, que é
coisa de cinco minutos. Mas a CET
não perdoa. Todo dia ouço taxistas
reclamando das multas”.
Jornada extenuante
Aliada a essa situação de permanente estresse, o motorista de
frota encara uma jornada extenuante:
são 12, 16 e até 20 horas de
trabalho por dia. “Eu tenho que
agradecer muito à frota, porque
toda vez que eu precisei fui atendido.
Mas é complicado. Eles cobram
um preço que é fora da realidade
do nosso país. Em quatro dias eu
pago um salário mínimo. Muitas
vezes, para um motorista levar
comida pra dentro de casa, precisa
trabalhar até 20 horas por dia.
Não é só na minha frota, mas em
qualquer frota”, declara Tozetti.
Rodar e rodar
Para conseguir alcançar seus
objetivos, Ribeiro adota uma rotina
intensa de trabalho nos finais
de semana: “Eu saio na tarde
de sexta-feira e só volto às 7 do
sábado seguinte. Descanso um
pouco e saio no sábado novamente,
para voltar só às 18 horas
do domingo”.
Contudo, os motoristas mais experientes
ressaltam que a escolha
pela “praça” não se faz apenas
considerando a necessidade de
trabalho: é preciso ter vocação. “O
que me atrai na “praça” é a possibilidade
de conhecer pessoas
diferentes, pessoas novas, pessoas
de várias classes sociais, pessoas
com diversas formações culturais
e étnicas, de lugares diferentes.
Acho legal você pegar todo tipo de
gente”, finaliza Marcelo Tozetti.
IR PARA O SUMÁRIO DO SUPLEMENTO
IR PARA O SUMÁRIO DESTA EDIÇÃO
PÁGINA INICIAL
|