Cuidado: Sono a bordo!
Insistir na luta contra o sono pode acarretar graves acidentes
Por Camila Silva



Não adianta lutar contra ele. Resistir à tentação de dormir é muito difícil, ainda
mais quando conduzimos um veículo por um caminho monótono, como estradas e vias retas. O horário também influencia. Após o almoço e durante a madrugada, estamos mais propensos à sonolência: “São horários em que
o organismo tem uma pressão biológica para dormir, pois o organismo trabalha em um ritmo que chama o sono.”, explica Rosa Hasan, coordenadora do Departamento de Sono da Academia Brasileira de Neurologia.
De acordo com o artigo de Ilene Rosen, publicado no Journal of Clinical Sleep Medicine, uma pessoa sem dormir a 24 horas tem a mesma reação de um indivíduo com concentração de 0,10 g/l de álcool no sangue, número cinco
vezes maior que o admitido pela Lei Seca. “A gente percebe que os riscos são muito grandes. É a mesma coisa que dirigir alcoolizado. A pessoa que está com uma privação importante de sono funciona como um bêbado ou até pior”, continua Hasan.

O que fazer nessa situação?

“A melhor coisa que a pessoa pode fazer quando ela detecta que está sonolenta é parar e descansar. A pessoa não precisa estar dormindo, nem chegar a dormir. Só o fato de estar sonolenta já diminui muito a capacidade de concentração e reflexo.”, afirmou a especialista em neurologia.
Já para os profissionais, como caminhoneiros e taxistas, Hasan recomenda o hábito de fazer pausas durante o dia. Respeitar as necessidades básicas diárias de sono e consumir café são outras ações que devem fazer parte do cotidiano destes profissionais. Em especial para os que trabalham à noite, ela recomenda a rotina de sempre dormir durante o dia, ainda que o indivíduo esteja de folga.

Perfil de pessoas mais propensas ao sono no volante:

• Jovens com menos de 26 anos;

• Trabalhadores em turnos variados de horário ou que ultrapassam
jornada de 60 horas semanais;

• Motoristas profissionais;

• Portadores de doenças do sono não diagnosticadas ou não tratadas, como a síndrome da apnéia obstrutiva do sono, que apresentam risco sete vezes maior de acidentes por dormir ao volante;

• Indivíduos que viajam e passam muitas horas ao volante.

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