O taxista e o caderninho
Organização é a palavra que determina o sucesso do “boa praça” Alberto Vicente Gomes
Por Camila Silva


Ao conversar com o taxista Alberto Vicente Gomes, a primeira impressão que
formamos foi a de que Alberto não trabalha para o dinheiro. O dinheiro é que trabalha para ele: “Não pode trabalhar no desespero. Se você sai desesperadamente para fazer dinheiro, aí é que você não faz nada. Eu tenho uma meta, um valor X a fazer. Se eu não faço dentro do período, então é só amanhã”.
Ao adotar esta postura, Gomes consegue encontrar um espaço para melhorar a sua qualidade de vida. Fazendo o dia se estender até às 20hs, ele ainda encontra tempo para manter as atividades físicas em dia. “Eu pratico uma
nataçãozinha. Um dia sim, um dia não, eu gosto de nadar. ”

Tudo na ponta do lápis

O taxista pode até não ser graduado. Mas no quesito economia e organização, Alberto é um verdadeiro mestre: “Eu gosto de anotar. Eu anoto tudo. Qual é a finalidade desta anotação? É que se um dia eu entrar num compromisso, eu sei se posso arcar uma despesa ou não ”. No caderninho, que o acompanha
nas corridas, o taxista detalha todos os seus gastos desde janeiro de 2003.
Para os colegas de profissão, ele dá a dica: “Tem que fazer economia. Como não pago diária (de frota), esse dinheiro eu tenho que guardar. Não pode
ser mão aberta, comprar tudo o que quer”. Com suas economias, Gomes aproveita para investir em cultura e lazer.

Viajar é preciso

“Comecei a tirar férias quando a minha esposa ainda trabalhava. Ela me dizia: ‘Eu quero viajar, não quero ficar em casa’”. A partir da exigência da mulher,
Alberto começou a descobrir mais o país. “Eu conheço Petrópolis, Florianópolis, Blumenau, Lages”.
Do alto de seus 59 anos, o taxista apresenta uma disposição de um menino. Enquanto a maioria das pessoas quer descansar nas férias, o taxista procura
aproveitar o máximo possível: “Lages, que foi agora a última vez, foi um passeio que eu rodei, em dez dias, 2100 km aproximadamente. Foi um passeio muito
agradável e pudemos realizar sem nos cansar”, declarou.
Viajar, para ele é um fator que alivia o estresse e também lhe traz bagagem cultural e amigos: “O bacana disso tudo é que você está fora do seu ambiente
normal, está em outros ares. Conhece novos costumes, né? Sempre você faz amizade e tem comidinha na hora certa. É uma beleza. É só love”, finaliza o sorridente motorista.

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