É agora Dagmar!
A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José?
Por Camila Silva

Dagmar Rivieri Garroux discorda dos versos de Carlos Drummond de Andrade e
escolheu a educação como a ferramenta capaz de transformar a pergunta final do famoso poema, em uma vibrante exclamação: “É agora José!”
Pedagoga e presidente da Casa do Zezinho, uma instituição sem fins lucrativos que trabalha para garantir o desenvolvimento de jovens e crianças da região do Parque Santo Antônio, Zona Sul da cidade de São Paulo, Dagmar tem a ação social presente desde muito cedo na sua vida.
Pedagoga e presidente da Casa do Zezinho, uma instituição sem fins lucrativos que trabalha para garantir o desenvolvimento de jovens e crianças da região do Parque Santo Antônio, Zona Sul da cidade de São Paulo, Dagmar tem a ação social presente desde muito cedo na sua vida.

Atitude que vem do berço

"Sempre fui uma pessoa que pertenceu a uma família do mundo. A nossa casa sempre foi uma casa com muita gente. A minha mãe pegava mendigo na rua, colocava dentro de casa para cuidar e depois o alfabetizava.” Tal pensamento e iniciativa pela transformação social marcaram a trajetória da pedagoga e
definiram sua opção pelo trabalho social.
Aos 14 anos, Garroux decidiu iniciar o seu primeiro trabalho voluntário, que, por sua preocupação exagerada, não foi bem sucedido:“Eu tinha 14 anos e fui ser voluntária num hospital que tratava de arrancar dentes de pessoas. Terminava por dar remédio a mais, porque achava que as pessoas tinham mais dor. Claro que fui mandada embora.”

Valorizar a autonomia

O envolvimento com as crianças e adolescentes da sua comunidade foi uma etapa natural. Em pouco tempo já acompanhava diversas crianças e
adolescentes que estavam sob risco pessoal e social. “Eu já tinha crianças ameaçadas de morte, porque tinham roubado alguma coisa na favela, tal, e eu as escondia na minha casa”, relembra.
Foi então que, no ano de 1994, Garroux decidiu procurar uma casa maior, porque a sua já estava com diversas crianças sob seus cuidados. “Aí eu falei para o meu marido: olha, eu vou trabalhar só com crianças de baixa renda e vou trabalhar na educação. Chamei cinco amigas minhas, e elas toparam também. Aí começou a Casa do Zezinho”, relata.
Privilegiando uma pedagogia que valoriza a autonomia, a casa rapidamente se tornou referência na comunidade, oferecendo um espaço de convivência diferenciado, onde todos os envolvidos buscam sempre realizar um trabalho focado no desenvolvimento humano e na cidadania.

Uma casa da comunidade

Atualmente a Casa do Zezinho atende a 1.200 jovens e crianças de seis a 21 anos de idade e oferece atividades como complementação pedagógica, orientação em saúde, atendimento odontológico, psicológico, acupuntura, naturologia e iridologia, convênios médico e oftalmológico, atendimento às famílias, entre outras, com o objetivo final de formar um cidadão consciente
e confiante em suas potencialidades.
Um dos maiores orgulhos de Garroux é ver a gratidão e participação dos Zezinhos na casa, mesmo depois da conquista da sua autonomia: “Uma coisa que eu acho bonita: quando um Zezinho está trabalhando, ele vira associado.
Ser Zezinho é uma filosofia de vida”, finaliza.

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