O Revolucionário Carro Universal
Conheça o Ford T, o veículo que
“colocou o mundo sobre rodas”
Por Caio Tosi

Chamado carinhosamente de “Fordinho” ou
“Ford Bigode”, o tradicionalíssimo Ford T
inaugurou um novo momento na indústria
automobilística mundial quando, em outubro de
1913, na fábrica localizada em Highland Park,
no estado de Michigan/EUA, um grupo de 140
operários realizou a montagem do modelo em
“apenas” cinco horas e cinquenta minutos.
Até então, o tempo necessário para produzir
cada unidade ultrapassava doze horas. Apenas
sete anos depois, em 1920, a Ford já era capaz
de produzir uma unidade do modelo T por
minuto. Era o começo de novos tempos.
Ao introduzir a linha de montagem no processo
de produção do Ford T e disponibilizar o
modelo com um valor acessível à maioria dos
trabalhadores norte-americanos, Henry Ford,
patriarca da montadora norte-americana, garantiu
a efetiva popularização da sua marca.
“O charme do Ford T era que qualquer um
podia dirigir”, comenta Mateus Polizel, vicepresidente
do Clube do Fordinho de São Paulo
e proprietário de duas raridades da época.
Simplicidade e baixo custo
A manutenção muito simples e barata foi
outro fator que contribuiu para transformar o
Ford T no carro mais bem aceito no mercado
de sua época. “Ainda hoje, se comparado com
a manutenção de vários carros modernos que
rodam por aí, o custo de manutenção é muito
baixo”, afirma o colecionador.
Padronização
Quem ia comprar um Modelo T já sabia que
o lugar do motorista seria no lado esquerdo
e também que o carro seria preto. “O cliente
pode escolher qualquer cor para o carro, desde
que ela seja preta”, defendia Henry Ford. Mas
a eleição da cor não estava diretamente relacionada
a qualquer sentido estético ou místico.
A padronização era motivada por um fator muito específico: o processo de secagem da
cor preta era mais rápido e isso garantia uma
maior produtividade e custos menores.
E o sucesso foi estupendo. O Ford T vendeu
mais de 15 milhões de unidades entre 1908 e
1927. No ano de 1999, o modelo foi eleito o
Carro do Século, desbancando 700 candidatos
em um painel composto por 133 especialistas
e jornalistas de todo o mundo.
História nas ruas do Brasil
Até o ano de 1925 foram vendidas no
Brasil 24 250 unidades, o que correspondia
a 60% do mercado nacional, um
recorde de vendas que só foi superado
pelo modelo Corcel, também da Ford,
no ano de 1969. Atualmente ainda existem
aproximadamente 750 raridades
circulando pelo país. Grande parte dos
proprietários se reúne no Clube do Fordinho,
um clube físico e virtual que agrega
apaixonados do Brasil, Grécia, Holanda e
Suíça. “A nossa paixão é ver o Fordinho
andando”, afirma Polizel.
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