Entre pela porta da frente
Primeiro carro produzido no Brasil, o Romi-Isetta, marcou a história
automobilística com sua proposta inovadora

Por Pedro Junqueira Martins


A fabricação de automóveis no Brasil entrou pela porta da frente. Literalmente.O
primeiro carro fabricado no país, o Romi- Isetta, mais do que um marco na produção automotiva no país, representou um projeto popular, com um designer inovador e totalmente idealizado para atender a grande massa de consumidores, que então começava a se formar no Brasil e no mundo.

Desenvolvido pela empresa italiana “Iso Automotoveicoli”, fabricante de motocicletas e triciclos comerciais, o simpático carrinho foi apresentado pela primeira vez no ano de 1953, no Salão do Automóvel de Turim. A proposta era construir um automóvel de baixo custo, voltado para atender a realidade da economia no pós-guerra da Itália. A ideia realmente deu certo e o veículo passou a ser exportado para vários países.

Uma alternativa popular
No Brasil, a entrada do veículo aconteceu graças ao empreendedorismo de Américo Emílio Romi, um imigrante italiano, que, em 1930, a partir da oficina “Garage Santa Bárbara”, fundou a empresa “Máquinas Agrícolas Romi Ltda”, onde, no ano de 1956, as Romi-Isettas passaram a ser produzidas. Atualmente a empresa, com a razão social de “Indústrias Romi S/A”, é líder nacional nos mercados de máquinas- ferramenta e máquinas para plásticos.

Vale lembrar que em 1955, os carros que circulavam pelas ruas e estradas do Brasil eram importados e, por isso, caríssimos. “Na Romi surgiu o desejo de se suprir este crescente mercado, com a produção do Romi-Isetta”, afirmou Vainer J Penatti, secretário executivo da Fundação Romi.

Um modelo aerodinâmico muito diferente
O que lembra um modelo do Romi-Isetta? Os engenheiros aeronáuticos Ermenegildo Preti e Pierluigi Raggi desenvolveram a aerodinâmica pensando em uma cabine de avião, com a porta sendo aberta pela frente. Outra vantagem é o espaço: o carrinho ocupa apenas um terço do espaço ocupado por um automóvel convencional. Além de compacto, o Isetta também é econômico, pois os poucos exemplares que circulam pelas ruas consomem apenas um litro de gasolina para cada 25 quilômetros rodados.

Junto a personagens ilustres
Desde seu lançamento, o pequeno veículo passou a figurar eventos e transportar nomes importantes da política. No desfile de lançamento, em 5 de setembro de 1956, as 30 primeiras unidades eram parte de uma carreata, que terminou em frente ao Palácio do Governo de São Paulo, com a participação de Jânio Quadros e Carvalho Pinto, respectivamente, Governador e Secretário da Fazenda.

Durante a Caravana de Integração Nacional São Paulo – Rio – Brasília, chefiada por Juscelino Kubitschek, o Romi-Isetta foi o veículo escolhido para levar o presidente Bossa Nova.

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