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Do you speak English?
Marketing pessoal, fidelização do cliente, atualização e capacitação profissional.
Se estas palavras são estranhas para você, está na hora de reciclar os seus conceitos
Por Waldir Martins

A cada dia o mercado se
moderniza, fazendo com
que clientes e consumidores
em geral se tornem cada
vez mais exigentes. No segmento taxista importantes mudanças
também estão em pleno desenvolvimento,
uma vez que a cidade
começa a se preparar para
receber a Copa do Mundo de 2014
e o turismo internacional vem
crescendo de forma exponencial.
Para acompanhar esse processo,
a frota de táxis de São
Paulo está se modernizando e,
junto com isso, muitos profissionais
estão buscando novas
estratégias e alternativas de
capacitação e formação. O objetivo
é acompanhar as exigências
desse novo mercado e fortalecer
o próprio negócio, diminuindo o
tempo de espera no ponto.
Crescente
profissionalização
“Hoje o motorista já entendeu
que pode se diferenciar dos demais
e obter uma renda extra.
Por essa razão, cada vez mais
profissionais buscam o aprendizado
de uma nova língua.
Estamos falando de São Paulo,
o coração empresarial do país,
uma cidade que recebe mais
de 10 milhões de turistas/ano.
Quem tiver uma segunda língua,
certamente estará à frente dos
demais companheiros, principalmente
no caso de grandes
eventos”, afirmou Vitor Hugo
Baqueta, assessor do Sindicato
dos Taxistas.
A consultora de gestão e negócios
do IDORT-SP, Elisabete Alves,
passageira assídua de táxis,
concorda: “São Paulo é uma cidade
onde o motorista recebe
muitos ‘turistas de negócios’.
Ter o mínimo de conhecimento de outras línguas é interessante,
pois cada vez mais, falar outro
idioma é fundamental.”
Investir em formação e
informação
Gilberto Salestiano da Silva
é um profissional diferente. Há
12 anos conduzindo passageiros
pelas ruas de São Paulo, o
taxista reconhece a importância
de buscar um aperfeiçoamento
constante: “Outro idioma é imprescindível.
No nosso local de
trabalho, trabalhamos com muitos
estrangeiros. Eu falo japonês e
espanhol. Inglês eu arranho um
pouco, consigo falar o básico”,
disse o motorista, que tem seu
ponto na Alameda Santos, na
região da Avenida Paulista.
Silva acredita que muitos taxistas
não se comprometem com os
estudos devido à falta de tempo,
uma vez que grande parte da categoria
enfrenta uma pesada jornada
de trabalho.
Em sintonia com seu colega
da Avenida Paulista, o motorista
Mauro do Carmo Fialho, que
trabalha no Aeroporto de Congonhas
e tem interesse em aprender
inglês, também reclama da sua
pouca disponibilidade de horário:
“Sou escravo da profissão”.
Fialho acredita ainda que falta
incentivo do governo, da cooperativa
à qual é ligado e também
do passageiro, que não irá pagar
mais por este diferencial.
Contudo, para quem busca desenvolver
o seu perfil profissional,
existem parcerias e descontos
oferecidos por diversas instituições.
O Sindicato dos Taxistas,
em uma parceria com o Governo
Federal e a Prefeitura, oferece
um curso de inglês para os interessados.
O SEST/SENAT, criado
para promover cultura, educação,
saúde e lazer aos profissionais do
transporte, dispõe o curso de inglês
e espanhol instrumental para
o turismo, matérias que fazem
parte do Curso Itinerário Formativo
para Taxistas.
Formação do profissional
Mas nem só de idiomas vive a
atualização do profissional taxista.
O SEST/SENAT possui uma
gama de opções de cursos para
a categoria, que representa um
elo fundamental na indústria do
turismo da cidade: Preparação de
Novos Taxistas, Aperfeiçoamento
para Taxista em Ponto Fixo, perfeiçoamento
para Taxistas em
Táxi de Turismo e Capacitação
para Motoristas de Táxi.
Para tornar seus cursos acessíveis
a um número mais expressivo
de profissionais, a entidade
conta com uma unidade
de ensino à distância, onde os
alunos podem realizar os cursos
pela internet, como explica a
coordenadora de promoção social
e desenvolvimento profissional
do SEST/SENAT, Cláudia
Moreno: “A educação à distância
é uma opção para quem
tem pouca disponibilidade de
tempo para frequentar as salas
de aula com horários rígidos.
O ensino via internet utilizado
pelo SEST/SENAT é pensado
para atender especificamente a
esse público”.
Carteira de clientes: como
aumentá-la?

Para alguns dos profissionais
entrevistados, a fidelização do
cliente é uma forma de reduzir o
tempo parado nos pontos e também
de aumentar o seu lucro: “Fidelizar
seus clientes é garantia de
sucesso profissional em qualquer
segmento. Numa área concorrida
como os táxis não é diferente. É
garantia de rendimento e de corridas
que se traduzem em faturamento”,
explica Baqueta, assessor
do Sindicato.
Para o motorista Gilberto Salestiano
da Silva, mais importante do
que cultivar a própria carteira de
clientes é fortalecer a qualidade
do trabalho em grupo: “Aqui, nós
procuramos trabalhar o ponto. É
muito difícil atender a uma carteira
de clientes pessoal, porque
(algumas vezes) quando a pessoa
precisa, você não pode atender. Assim, é fundamental trabalhar
o ponto, o grupo. Porque na hora
que eu não posso atender, eu tenho
mais 13 motoristas que estão
à disposição e podem dar o mesmo
atendimento, com a mesma qualidade”,
afirma o profissional.
Qual é a sua estratégia
para conquistar clientes?
Muitos taxistas apostam no
bom atendimento, através da cordialidade.
“Já outros optaram por
um atendimento mais profissional
com a distribuição de cartões, revistas
e jornais diários no carro
e, até mesmo, brindes para os
passageiros. Outro projeto já em
execução por alguns motoristas
é a instalação de televisores nos
encostos dos bancos para o passageiro”,
conta Baqueta.
Os clientes de Neosvaldo
Queiróz, motorista que tem seu
ponto ao lado do Shopping Eldorado
e que aposta na inovação
para conquistar excelentes resultados
no seu negócio, contam
com diversos serviços diferenciados:
GPS, TV digital e DVD. Em seu
táxi, o diferencial se estende até
na hora do pagamento, que pode
ser feito com os cartões Visa e
American Express. Não satisfeito,
Queiróz pretende adquirir mais
equipamentos: ”Eu quero investir
em um notebook, para oferecer
conexão à internet através da
tecnologia 3G e, além disso, poder
buscar um cliente no aeroporto,
acompanhar online o horário da
chegada e verificar se o voo está
em atraso”.
Mudanças de
comportamento
Observando o êxito de alguns
profissionais, Edmur Hashitani,
assessor da Secretaria Municipal
de Transportes, dá dicas: “Existem
fatores que diferenciam o
serviço prestado por cada motorista,
que são: atenção dispensada
ao cliente, simpatia no atendimento,
conhecimento da cidade e
dos caminhos, apresentação do
motorista e do veículo (limpeza e
condições de conservação)”.
Atentos a esta tendência,
muitos taxistas, cooperativas
e empresas de táxi adotam estratégias
para oferecer o melhor
atendimento possível. Um
exemplo disso pode ser verificado
na COOPERLUXO, uma
cooperativa onde, segundo seu
presidente, Nilson Carvalho,
os motoristas trabalham sempre
trajando terno e gravata,
dispõem de som ambiente,
aceitam cartões de crédito e
débito, oferecem Nextel, renovam
o veículo a cada três anos e
investem permanentemente na
formação profissional.
“Parece que não, mas existe
uma corrente boca a boca, um
network que ajuda muito. Se,
além de fazer o trajeto, o motorista
empresta um celular, é
simpático e entende o que o passageiro
quer, ele pode fidelizar
não apenas aquele cliente, mas
também seus amigos e conhecidos,
para os quais o cliente irá indicá-lo. Quando o taxista é bom,
ele não precisa me dar o cartão,
eu mesma peço”, finalizou a consultora
da IDORT.
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