Veículo Frágil
Desrespeito às regras de trânsito e comportamento de risco tiram a vida de quem anda a pé
Por Camila Silva



Você tem ideia do quanto o Sistema Único de Saúde desembolsa com internações de pessoas que sofrem acidentes de trânsito? O valor dessa salgada conta chega à bagatela de R$ 5 bilhões. Isso sem contar os
custos provenientes dos tratamentos de sequelas desses pacientes e das irreparáveis vidas perdidas.

Conduta de risco

A imprudência é um dos principais fatores que infl uenciam os acidentes nas capitais brasileiras. No Brasil, considerando apenas as pessoas que perderam a vida no local dos acidentes, cerca de 36 mil mortes por ano. No mundo, esse número chega a mais de um milhão de óbitos. Falar ao celular, excesso de velocidade e desrespeito à sinalização são alguns exemplos de infrações comuns que geram ocorrências fatais.
A combinação álcool e direção continua imbatível como a maior causa dos acidentes urbanos. Estudos internacionais indicam que entre 30% e 50% das vítimas do trânsito consumiram bebidas alcoólicas antes do acidente. Números que levaram diversos países a adotar uma postura mais rígida frente à ingestão de bebidas alcoólicas.

Inibir o consumo de álcool

Pesquisas norte-americanas mostram que a intolerância ao consumo de álcool pode reduzir o número de acidentes em até 25%. No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, a Lei Seca - que entrou em vigor em junho de 2008 - conseguiu obter um resultado bastante expressivo, provocando uma queda
de aproximadamente 23% no número de internações e óbitos entre o segundo semestre de 2007 e o segundo semestre de 2008.
Este número indica que, no segundo semestre de 2007, um total de 105.904 pessoas foram socorridas pelo Sistema Único de Saúde, enquanto em 2008, ocorreram 81.359 atendimentos. São quase 25 mil vidas preservadas apenas no período de um ano.

Consciência feminina

A diferença entre os sexos é considerável quando se trata do modo de conduzir um automóvel. Segundo as estatísticas, em 2007, das 36.465 mortes ocorridas nas vias brasileiras, 82% das vítimas eram homens, entre 15 a 59 anos, e apenas 18% mulheres, também da mesma faixa etária.

Resultados ainda tímidos

Apesar dos avanços obtidos com as novas campanhas e legislação mais rigorosa, os resultados ainda não permitem comemorações.
As estatísticas indicam um alto número de acidentes fatais ou traumáticos, que poderiam ser evitados simplesmente se cada motorista fi zesse a sua parte, dirigindo com responsabilidade e tolerância. Faça a sua parte.

Fatores que influenciam acidentes:

- Dirigir sob efeito de álcool e drogas;
- Velocidade excessiva;
- Distancia insufi ciente em relação ao veiculo
dianteiro;
- Desrespeito à sinalização;
- Impunidade / legislação defi ciente;
- Fiscalização corrupta e sem caráter educativo;
- Baixo nível cultural e social;
- Baixa valorização da vida;
- Ausência de espírito comunitário e
exacerbação do caráter individualista;
- Uso do veículo como demonstração de poder e
virilidade.

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