Problemas com o coração
Enganam-se aqueles que pensam que a má qualidade do ar influencia apenas o sistema respiratório. O coração também sofre (e muito) devido à poluição atmosférica
por Camila Silva


As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil, responsáveis por 300 mil óbitos por ano, representando 32% dos casos. Este número é mais que o dobro das ocorrências causadas pela violência (13%) e pelo câncer (14%), segundo afi rmou o Dr. Rui Ramos, Diretor de Promoção da Saúde Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia e médico-chefe da Unidade Coronária do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia.
O especialista destaca ainda que o infarto do miocárdio e o acidente vascular cerebral (AVC ou derrame cerebral) são os principais responsáveis por estes números. “Apenas com o tratamento das síndromes coronárias agudas, o Sistema Único de Saúde (SUS) teve que desembolsar cerca de R$ 504 milhões em 2005”.

O efeito da poluição no sistema cardiovascular
Apontada por especialistas como um grave fator de risco para a incidência de doenças cardiovasculares, a poluição do ar apresenta em sua composição um grande número de partículas que, por serem de tamanho muito reduzido, permanecem em suspensão nos ambientes por muitos dias, provocando um tempo maior de exposição.
Aderidas ao nosso sistema circulatório, estas partículas provocam a vasoconstricção arterial coronária, que é o estreitamento dos vasos e o endurecimento das artérias. Isso difi culta a chegada de sangue rico em oxigênio ao coração, causando a isquemia miocárdica.
A hipertensão arterial (pressão alta) acontece quando esse mesmo processo se verifi ca em artérias maiores, exigindo um esforço maior do coração para realizar o bombeamento do sangue por todo corpo. A poluição atua também no sistema nervoso do coração, podendo levar a distúrbios do ritmo cardíaco e até ao infarto do miocárdio.

E o meu carro com isso?
Na cidade de São Paulo, a má qualidade do ar afeta todos os cidadãos que circulam pela metrópole, mas, principalmente, aqueles que trabalham ao ar livre. Segundo estudo realizado junto aos agentes da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) foi detectada uma grande incidência de pressão alta e dores no peito entre esses profi ssionais.
Sobre a solução ou minimização do problema, Ramos aponta a necessidade de um processo de educação e conscientização de toda sociedade. “É um problema de saúde pública, das instituições públicas, privadas, das sociedades de médicos e dos cidadãos. Deve haver uma ação conjunta”, argumentou O cardiologista destaca ainda que a prática de cidadania é a melhor alternativa para combater esse problema. “O que os cidadãos podem fazer é manter o seu carro regulado, utilizar os meios de transporte público, não fumar em ambientes fechados e evitar locais e horários de maior poluição para realizarem suas tarefas diárias”, finalizou.

Os mais afetados pela poluição
Crianças
Idosos
Portadores de doença cardíaca
Portadores de doença pulmonar
Pessoas expostas à poluição
Principais doenças
Pressão Alta
Hipertensão
Arritmia Cardíaca
Infarto no miocárdio

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