Era uma vez o Cadillac Brasileiro...
Desenvolvido na França, o carrão conquistou o consumidor brasileiro nos anos 60
Por Caio Tosi

“Eu vou ser o maior, comprei um Simca Chambord”. O verso do cantor Marcelo Nova, da banda Camisa de Vênus, relembra a nostalgia vivida no Brasil durante a década de 60, quando a marca Simca era sinônimo de arrojo e modernidade. Sonhando com o Brasil do futuro, a política de incentivo à produção automobilística promovida pelo presidente Juscelino Kubitschek permitiu que a montadora francesa inaugurasse três fábricas em terras tupiniquins: a matriz em Belo Horizonte e as filiais no Rio de Janeiro e São Bernardo do Campo.
Lançado no Brasil no final de 1959, o Simca Chambord teve como seu primeiro motorista o próprio JK. Conhecido na época como “presidente bossa nova”, Kubitschek recebeu de presente da montadora um modelo preto, com o estofamento vermelho.
Problemas técnicos
Apesar do sucesso, problemas não demoraram a surgir. O molde do veículo, importado da Europa com suas ruas bem pavimentadas e clima ameno, mostrou que não era compatível com a realidade brasileira. O mau estado das ruas e estradas e o clima quente comprometeram o desenvolvimento do veículo. As falhas mecânicas se tornaram tão comuns, que o carro foi apelidado de Maestro, “um conserto (grafado com “s”) a cada esquina”. Ou ainda “Belo Antônio”, bonito por fora, mas imprestável por dentro. Porém, inovações e ajustes realizados nas versões posteriores do veículo, garantiram o seu espaço como um ícone na história da indústria nacional.
A paixão pelo Simca
A linha Tufão, lançada em 1965, foi responsável por transformar o veículo em um verdadeiro objeto de desejo dos consumidores. Direção leve, suspensão macia, sofisticação e beleza fizeram com que o luxuoso rabo-de-peixe ficasse conhecido como o “Cadillac brasileiro”. Segundo o pesquisador Rogério Simone, um dos autores do livro “SIMCA - A história desde as origens“, a série EmiSul, última do Chambord, era composta pelo motor mais potente da categoria e capaz de atingir uma velocidade de 160 km/h, feito conseguido apenas por carros importados. “Desde criancinha o Chambord sempre me chamou muito a atenção. Nasci em 1964 e quando ainda era bem pequeno o carro deixou de ser fabricado, mas ainda muitos modelos rodavam pelas ruas e estradas”, conta Simone. Embora o nome do carro tenha sido usado como uma metáfora, a letra de Marcelo Nova e Miguel Cordeiro transmite a emoção dos proprietários do automóvel: “E no caminho da escola eu ia tão contente/ pois não tinha nenhum carro/ que fosse na minha frente/ nem Gordini nem Ford/ o bom era o Simca Chambord”. Em 1967, a Simca do Brasil foi comprada pela Chrysler, que encerrou a linha Simca. Estima-se que entre 59 e 67, a empresa tenha produzido 50.833 unidades, hoje, dificilmente encontrados em bom estado. Mas quando encontrados, fica difícil resistir aos encantos do rabo-de-peixe.
Saiba Mais:
Livro: SIMCA - A história desde as origens
Autores: Rogério Simone e Paulo Sandler
Editora: Alaúde
SIMCA www.simca.com.br
Simca Chambord
Composição: Marcelo Nova e Miguel Cordeiro
IR PARA O SUMÁRIO DESTA EDIÇÃO
PÁGINA INICIAL |