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Por Jacqueline Toledo

Dona de uma área com 38 mil quilômetros quadrados – maior que países como
a Holanda – e uma história construída por aventureiros paulistas e portugueses que desbravaram a região em busca de diamantes entre os séculos 17 e 19, a Chapada Diamantina vem se convertendo em um dos mais deslumbrantes
roteiros ecoturísticos do Brasil.


Região de nascentes, a Chapada é parte da bacia do rio Paraguaçu e conta com uma biodiversidade riquíssima, onde coexistem diversos ecossistemas que abrigam exemplares endêmicos da fauna e da flora.


Sua principal unidade de conservação, o Parque Nacional da Chapada Diamantina, possui uma área de 152 mil ha e abriga em seus limites amostras de vários biomas: Cerrados, remanescentes de Mata Atlântica, Caatinga, Campos Rupestres e Campos Gerais, que integram à serra do Sincorá, com seus vales profundos e encostas íngremes. e amplas chapadas.


Prepare-se: são cachoeiras, grutas com piscinas naturais de águas cristalinas, cânions, corredeiras, vales, cavernas, montanhas e, claro, muitas chapadas.


Uma região voltada para o futuro


Porta de entrada para outras localidades como Andaraí, Mucugê e Rio de Contas, além da antiga Vila de Igatu, com suas ruínas de pedras, e pequenas cidades como Iraquara e Palmeiras, a cidade de Lençóis é o principal polo turístico da região. Sua infraestrutura conta com o aeroporto Coronel Horácio de Matos, a 20 km do centro da cidade, com voos semanais da cidade de Salvador, e uma bem composta rede de hotéis e guias, capaz de atender turistas de diversas classes.


Vale dizer que os dois primeiros hotéis sustentáveis do Brasil, com certificação conferida pela ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas, o Hotel Canto das Águas e o Hotel Lençóis, são atrações da cidade.

Segundo Margarete Pires, diretora de negócios da empresa Flora Comunicação, que atua na divulgação da Chapada Diamantina junto a diferentes públicos, existe hoje uma grande
articulação envolvendo as prefeituras e associações locais, o Ministério do Turismo e outras entidades, como o Sebrae e o Senac, para fortalecer a indústria do turismo.

“A chapada Diamantina foi um dos destinos selecionados dentro do projeto ‘Estudo competitivo dos 65 destinos Turísticos do Brasil’,
desenvolvido pelo Ministério do Turismo. Nesse programa, Lençóis foi escolhida entre as dez cidades que são destinos indutores. Isso mostra a força e o potencial da região”, afirmou a executiva.


Turismo com profissionalização e excelência


Como resultado direto desse trabalho, a cidade sediou nos dias 10 e 11 de novembro, o Seminário de Multiplicação das Boas Práticas, promovido pelo Ministério do Turismo. A iniciativa tem como proposta fundamental incentivar
a criação de um grupo gestor capaz de fomentar alternativas para garantir a continuidade e a sustentabilidade do turismo na região.


Michelle Nonato, superintendente do Chapada Convention & Visitors Bureau, fundação sem fins lucrativos que atua para difundir e fortalecer a indústria do turismo, ressaltou que o projeto e a formação do grupo gestor tem sido de extrema importância para o amadurecimento e evolução da atividade turística da Chapada. “Agregamos um maior valor ao turismo da região a partir da conquista de certificações qualificações e do novo formato de gestão participativa.
Outra importante contribuição tem sido a integração das várias cidades turísticas que formam a região”, comemorou.


Saiba programar a sua viagem


Para conhecer a Chapada Diamantina, a melhor alternativa é o visitante procurar uma operadora que tenha bons roteiros (veja Box a seguir com operadoras de São Paulo e também da própria Chapada) e com a ajuda do seu agente de viagens escolher aquele que melhor se adapte ao seu interesse e disponibilidade.
Claro que existe a possibilidade de realizar a aventura por conta própria. Basta chegar até a cidade de Salvador, realizar o traslado até Lençóis (de ônibus ou avião – atualmente a empresa Trip Linhas Aéreas disponibiliza voos semanais
para a cidade) e de lá lançar-se na aventura.


Mas isso pode ser um tanto arriscado e com um custo alto, uma vez que todos os passeios exigem o acompanhamento de guia e a grande maioria deles depende de um veículo para chegar ao início da trilha. De maneira que, ao fechar um pacote, você poderá contar com a experiência das operadoras para eleger o melhor roteiro e ter tudo organizado (carro, guia, segurança e melhores tarifas para várias pousadas).


De toda forma, é importante saber que para conhecer as maravilhas do parque será necessário contar com uma boa condição física e muita disposição para andar. Isso porque, para chegar até as principais atrações será preciso caminhar por horas e, por vezes, dias inteiros, a depender da atração escolhida.


Um mergulho no paraíso


As atrações são as mais variadas, desde os subterrâneos das grutas, passando pelas cachoeiras ou seguindo por antigas trilhas de garimpeiros ou
pelos vales da Chapada. O visitante pode subir os três pontos mais altos da Bahia: o Pico das Almas, com 1958 m de altitude, o do Itobira, com 1970 m,
e o do Barbado, com 2033 m; ou ainda percorrer a Estrada Real, por onde circulou ouro, diamantes e mercadorias entre os séculos 17 e 19.


A região conta ainda com um dos mais belos conjuntos de cachoeiras do Brasil, formado por centenas de quedas d’água que serpenteiam por entre penhascos, em serras ainda cobertas por vegetação nativa, num misto de cerrado,
mata atlântica e caatinga.


A localidade de Iraquara, por exemplo, é responsável por um dos mais significativos sítios espeleológicos do país onde, atualmente, encontram-
se registradas mais de uma centena de grutas e cavernas, que exibem formas e
padrões variados, muitas delas atingindo dimensões quilométricas.


Patrimônio Cultural


Diante de tantas atrações naturais, o universo da cultura também emerge com muita força dentro da Chapada. Em diferentes localidades a passagem do homem pré-histórico está registrada em sítios arqueológicos onde se destacam painéis de pinturas rupestres. Junto com esse acervo, a imponência e importância do período colonial também oferecem imagens inesquecíveis aos visitantes.

A região contabiliza hoje 65 sítios com pinturas rupestres cadastrados por estudiosos, que permitem identificar desenhos da flora e fauna, e também o cotidiano dos mais antigos habitantes da região.


O patrimônio do período colonial conta a história do garimpo através do casario localizado nas cidades de Lençóis, Rio de Contas, Andaraí, Mucugê e no minúsculo distrito serrano de Xique-Xique do Igatu, “a cidade de pedras”. Estas localidades nasceram e floresceram com o ciclo do ouro e diamantes e agora, com o fortalecimento da indústria do turismo, estão encontrando novas alternativas para o seu progresso.


A Chapada e suas atrações

Diante do acervo de paisagens inigualáveis que o visitante tem à sua disposição, fica difícil estabelecer um roteiro de prioridades a conhecer. De toda forma, apresentamos a seguir uma relação com algumas das atrações
mais conhecidas.


Grutas da Lapa e da Torrinha: Situadas na região de Iraquara, a Gruta da Lapa possui salões internos com até 32 metros de altura e apresenta inscrições
rupestres pré-históricas. A Gruta da Torrinha, na mesma região, não é a maior do Brasil, mas é uma das mais completas graças à diversidade dos seus
espeleotemas (formações rochosas).


Morro do Pai Inácio: Do seu pico, a 1.150m acima do nível do mar, avista-se a Serra do Sincorá, a Serra da Bacia e a Serra da Chapadinha. Distante 28 km de Lençóis, possui umas das mais belas vistas da Chapada.


Cachoeira do Sossego e Ribeirão do Meio: A cachoeira do Sossego possui águas escuras e despenca de uma formação de arenito com 15 metros de altura. O acesso é feito por uma trilha com 7 km, percorrida a pé. No caminho
pode-se chegar ao Ribeirão do Meio e deste local, descer as pedras lisas da Cachoeira do Escorrega até cair num poço.


Cachoeira do Buracão: Na cachoeira do Buracão a água despenca de um paredão de 85 metros de altura e escorre por um cânion estreito. Localizada
em Ibicoara, a cachoeira tem um “trajeto” perigoso que termina dentro do rio.


Gruta do Lapão: Diferente da maioria das cavernas da Chapada Diamantina, que são de rocha calcária, o Lapão é uma gruta de quartzito e rica em ferro, com mil metros de extensão e cerca de 10 metros de largura. É a segunda maior gruta de quartzito do Brasil.


Marimbus: Espécie de pantanal em pleno sertão, um dos ecossistemas mais ricos da Chapada. Acesso de carro até o Remanso e, a partir daí duas horas de canoa pelo Rio Santo Antônio.


Poço do Diabo: Poço de águas escuras que se forma logo após uma queda d’água do rio Mucugezinho, com 40 metros de altura. Ideal para banho, dista 21 km de Lençóis.


Cachoeira da Fumaça: Localizada entre os municípios de Lençóis e Palmeiras, é uma das maiores quedas d’água do Brasil, com 340 metros de altura. Suas águas despencam de uma parede totalmente vertical, formando uma verdadeira nuvem de fumaça.


Cachoeira do Ramalho: Um longo véu d’água despenca por um paredão com 110 metros de altura, formando um poço para banho. Distante 3 km de Andaraí, o caminho é uma antiga trilha de garimpeiros.


Poço Encantado: Localizado em Itaité (44 km a sudeste de Andaraí) o Poço Encantado, atualmente fechado à visitação pelo IBAMA, recebe este nome devido ao fenômeno das colorações distintas de suas águas cristalinas.


Poço Azul: distante 40 km do Poço Encantado, possui o mesmo fenômeno e pode ser utilizado para banhos e se refrescar do calor do sertão.


Gruta e lagoa da Pratinha: Também localizada em Iraquara, apresenta as características das regiões calcárias, com um lago em tom azulado
e águas cristalinas.

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