A sofisticação da
gastronomia francesa
No ano da França no Brasil, celebre a integração de culturas em alto estilo
Por Camila Silva

A gastronomia francesa é
mundialmente conhecida
pela excelência e refino
dos pratos. Esta definição surgiu
com o advento do chef Auguste
Escoffier, no século XX,
considerado o pai da culinária
de luxo, praticada nos hotéis e
restaurantes.
Atualmente, os pratos estão
mais democráticos e não podem
ser resumidos em uma única identidade
nacional, pois as características
das receitas diferem de
acordo com a região. No Sudeste,
por exemplo, as produções são
influenciadas pela cozinha italiana,
onde as composições são
temperadas com azeite de oliva,
ervas aromáticas, alho e tomate.
Já no Nordeste, o ingrediente
principal é a manteiga.
Há quem diga que o cardápio
francês é muito calórico. Mas
para o chef Patrice Dartagnan,
do restaurante Le Bouchon, localizado
na Rua Afonso Braz,
369, Vila Nova Conceição, adepto
de uma cozinha tradicional, esta
questão é geográfica, pois no
norte, devido ao clima mais frio,
os pratos são mais pesados. E no
sul, de ambiente mais quente, os
pratos são mais leves, preparados
com muitos legumes.
Com relação ao tamanho das
porções, o chef Alain Uzan, do
restaurante Félix Bistrot, localizado
na av. José Felix de Oliveira,
555, na Granja Viana, explica:
“Um cardápio na França é composto
por entrada, peixe, carne,
salada, queijos e sobremesa, e
por isso as porções são reduzidas.
Senão todos passariam mal”.
O tempero brasileiro
Oportunidade, receptividade
e produtos brasileiros atraem
chefs de todo o mundo, especialmente
os franceses. “O Brasil
é muito rico em frutas, podemos
fazer vários tipos de mousses,
tortas, caramelizar frutas, como
o abacaxi, a manga”, relata o
chef Uzan.
Nos pratos de Uzan, vários
produtos brasileiros foram incorporados
ao cardápio, como a
coxa de pato confitada com molho
de açaí, Escalope de Foie Gras
(fígado de pato fatiado), acompanhado
de molho de jabuticaba,
e ainda o cupuaçu, que pode ser
utilizado como ingrediente no
preparo de molhos para acompanhar
filés de salmão.
Ainda segundo o chef Uzan, as
ostras brasileiras são tão parecidas
com as francesas que passaram
a ser um dos ingredientes
mais utilizados na elaboração de seus pratos e podem ser servidas
cruas ou cozidas. Outras composições
possíveis com ingredientes
tipicamente brasileiros são:
salmão ao molho de maracujá e
camarão com risoto de vatapá.
Atuando de um modo bastante
diverso, o chef Dartagnan não
inclui nenhum produto tropical
em seu menu, uma vez que
trabalha com a proposta de
oferecer pratos com a forma e
sabor daqueles que os visitantes
poderão encontrar em terras
francesas. Independentemente
da presença dos frutos nacionais,
a diversidade da comida
atrai a todos e transmite a ideia
de que a França é logo ali.
Le Vin
Para apreciar esta culinária,
o vinho desempenha
um papel essencial,
pois é ele o responsável
pela harmonização dos
pratos. “Na França, o vinho
é cultural. Dá mais valor
para a comida. É um prazer
a mais”, diz Dartagnan.
E o vinho não precisa ser
importado: ”Quando cheguei
aqui os vinhos mais vendidos
eram franceses, chilenos, argentinos.
Não existiam muitas
opções. Hoje existem produtores
nacionais que são fantásticos,
e de qualidade internacional”,
opina Uzan.
Os pratos mais conhecidos são:
Filet au Poivre
(filé mignon ao molho de pimenta verde);
Cassoulet
(lembra a feijoada, mas composta por feijão branco);
Boeuf Bourguignon
(carne de boi cozida na panela com vinho tinto);
Escalope de Foie Gras
(Fígado de pato fresco e fatiado);
Cuisses de Grenouilles
(Coxa de rã servida de várias formas);
Escargot
(servida com molho típico na manteiga com alho).
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