O Passado no futuro
Há 60 anos no Brasil, o Trólebus reaparece como alternativa limpa para o transporte coletivo
Por Caio Tosi


Inaugurado no mesmo dia da Independência do Brasil, 22 de abril, mas no ano de 1949, o trólebus completou seis décadas de existência no país e agora, depois de ter sido quase completamente desativado na cidade, volta a ser apontado por especialistas como a mais rápida e ecológica alternativa para o transporte público de São Paulo.

Uma tecnologia que continua atual
No início de sua implantação, os veículos eram importados. Apenas a partir de 1963, a Companhia Municipal de Transportes (CMTC) começou a montar protótipos nacionais, reutilizando os chassis de ônibus desativados e também componentes novos, produzidos nacionalmente. Seis anos depois, em 69, o projeto foi concluído e 144 carros foram montados. Ao todo, a frota passou a contar com 233 veículos.
Vinte anos depois, no ano de 1983, os sete quilômetros iniciais somavam 274 km de rede bifilar simples, que percorria a cidade. Entretanto, entre os anos de 91 e 93, sessenta veículos foram desativados e, no ano seguinte, a CMTC foi privatizada. A partir de então os veículos de tração elétrica passaram a ser administrados pela São Paulo Transportes (SPTrans), que deixou de investir no sistema dentro do centro urbano.

Quem utiliza o transporte aprova
Contudo, desde 1988, na Grande São Paulo, os bairros do corredor que liga São Mateus e Jabaquara, localizados na zona leste e sul, passando pelos municípios do ABCD — Santo André, São Bernardo do Campo e Diadema — utilizam os trólebus. Segundo a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), que a partir de 1997 passou a operar o sistema, aproximadamente seis milhões de usuários são transportados por mês.
As principais características do trólebus apontadas pelos usuários são o conforto e o nível de ruído, muito inferior ao de um ônibus movido a diesel. Devido ao sistema de tração elétrica que o compõe, este veículo torna-se mais silencioso que os outros meios de transporte, proporcionando uma melhor qualidade de vida, não apenas para os passageiros, mas também para os moradores das regiões próximas às rotas.

Uma real contribuição para o meio ambiente

Além do conforto para os passageiros e a ausência de ruídos indesejáveis, o trólebus é apontado por ambientalistas, como Célia Marcondes e Jorge Françoso Morais, do Movimento Respira São Paulo, como a solução simultânea
para dois problemas que afligem a metrópole: o caos no trânsito e a questão ambiental.
“É fundamental que o sistema possa se expandir por toda a cidade, pois, ao contrário do ônibus a diesel, que é extremamente poluidor, o trólebus
não polui o meio ambiente com a queima de combustíveis fósseis. Além disso, a argumentação que o sistema é muito caro cai por terra se considerarmos
os gastos que ocorrem no sistema de saúde, por problemas causados pela poluição ambiental”, finaliza Marcondes.

As Vantagens do Trólebus

• Matriz energética mais limpa no transporte coletivo;

• Fonte de energia renovável (elétrica);

• Mais conforto, com aceleração contínua, sem solavancos;

• Redução da poluição sonora e ambiental

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