Remédios e volante: uma mistura perigosa

Duas perguntinhas simples: a) você já tomou algum medicamento, mesmo para pequenos problemas, e durante o uso seguiu dirigindo seu carro? b) você leu a bula desses remédios para saber seus efeitos sobre o organismo e possíveis reações adversas?
Se suas respostas foram “SIM” à primeira pergunta e “NÃO” para a segunda, saiba que possivelmente você já colocou a si mesmo e a outras pessoas em situação de risco. Quando falamos de bebidas alcoólicas, todos conhecem seus efeitos e riscos, seja pelas insistentes campanhas de conscientização, seja pela legislação severa que proíbe seu uso por quem for dirigir. Mas, quando falamos de medicamentos, é mais difícil que as pessoas associem
seu uso com riscos que podem ser, inclusive, semelhantes ao uso do próprio álcool, já que remédios são feitos para enfrentar doenças.

Cuidado com os efeitos colaterais
Para compreendermos isso, é preciso ficar claro que medicamentos são compostos químicos que alteram, potencializando ou inibindo, substâncias e o funcionamento de diferentes áreas do organismo para promover a cura ou o reequilíbrio da pessoa. Mas, antes da cura, esse processo pode provocar, momentaneamente, alterações inconvenientes e reações adversas, secundárias e indesejadas, os chamados efeitos colaterais.
Dentre esses efeitos, quando pensamos na capacidade de dirigir um veículo, alguns como a sonolência, a demora e a dificuldade em reagir a estímulos e a tomar decisões rápidas, a tontura e a falta de coordenação motora são
especialmente preocupantes.

Busque sempre orientação médica
Alguns medicamentos, particularmente aqueles voltados ao tratamento do sistema nervoso central e que só podem ser adquiridos sob prescrição médica, devem ser observados com muito mais cuidado quanto a seus efeitos indesejados e o risco de dirigir enquanto durar seu uso. É o caso dos ansiolíticos e tranqüilizantes, que causam sonolência, redução de reflexos e aumento no tempo de reação, ou dos antidepressivos, que afetam a capacidade de raciocínio e cognição.
Por outro lado, existe um risco que pode ser alto mesmo com medicamentos aparentemente inofensivos, como antialérgicos, que causam sonolência ou os relaxantes musculares que além da sonolência provocam aumento no tempo de reação.

Combater o sono pode ser fatal
Outro grupo de medicamentos bastante problemático é o dos estimulantes, que provocam a insônia, irritabilidade e agressividade. Pior ainda porque, muitas vezes, esses medicamentos são consumidos não para seu objetivo de cura, mas exatamente por esses efeitos colaterais que causam, para aumentar
a capacidade de “ficar aceso”. Nesse caso, além de nervos à flor da pele por um tempo, o que é por si só um risco à violência no trânsito, após o efeito o corpo invariavelmente precisa dormir, e o sono não chega, necessariamente,
com um aviso prévio e você pode apagar enquanto dirige.

Aprenda a usar corretamente
Os medicamentos são fundamentais no tratamento e solução de diversos problemas, mas, quando associados ao volante, podem provocar danos irreparáveis. Para e evitar esses problemas, alguns cuidados simples são fundamentais: a) sempre que o médico lhe prescrever um medicamento,
lembre-se de que você é motorista e pergunte a ele se esse medicamento pode alterar sua capacidade de dirigir; b) habitue-se a ler a bula dos remédios para fazer seu uso correto e para evitar acidentes.
Com medidas simples todos teremos um convívio no trânsito mais seguro.

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