A magia e o prazer do café
Maior produtor mundial de café, a cada ano o Brasil vai apurando o seu gosto e, além de fortalecer e sofisticar o consumo interno, parte em busca da liderança no mercado de cafés especiais

Quem não tem na memória o maravilhoso aroma do café invadindo o sono pela manhã, misturado com as imagens e chamados da mãe, quando nos tirava da cama e colocava a caminho da escola? Essa fascinante e deliciosa bebida, que iniciou sua trajetória há mil anos no coração da África, mais precisamente na
Etiópia, tem hoje centenas de formas e modos de consumo, e a cada dia se faz mais presente e participante no cotidiano das grandes metrópoles.
Assimilando características de diferentes partes do mundo onde se popularizou,
é possível saborear hoje um excelente café na cidade de São Paulo, com muito charme e sofisticação. Puro, com ou sem leite ou espuma, risttreto, americano,
macchiato, creme, cappuccino... são intermináveis as opções à disposição
dos paulistanos. As cafeterias se multiplicam em todos os lugares e, com ambientes diferenciados, dos mais simples aos muito sofisticados, consolidam um novo status de consumo para o nosso tradicional e bom cafezinho. Mesmo
nas gôndolas dos supermercados a presença do café tem conquistado importantes espaços, com novos produtos e marcas, abrindo um universo de
possibilidades para o consumidor.
Uma tradição árabe que conquistou o mundo
Desenvolvido na cultura árabe, o café era inicialmente apreciado como um estimulante e seus frutos consumidos frescos serviam para alimentar
e estimular os rebanhos durante as viagens.
Somente no século XIV o processo de torrefação foi desenvolvido, e a bebida adquiriu um aspecto mais parecido com o dos dias de hoje. Para atender a demanda do mundo ocidental, o café foi cultivado inicialmente pelos holandeses no Sri Lanka e na ilha de Java. Já no ano de 1706 sua produção abrangia grandes áreas da Indonésia e a maior parte do café javanês era exportada para outros países da Europa e para a América.
Ancestral direto do café brasileiro, o café Bourbon foi um presente dos bem sucedidos holandeses ao rei Luiz XIV que, em torno de 1720, iniciou o plantio na ilha de Martinica, no Caribe, chegando depois ao México e Guiana Francesa. Em seguida, no ano de 1727, chegou ao Brasil contrabandeado pelo Sargento- Mor
Francisco de Mello Palheta, a pedido do governador do Maranhão, que já tinha interesses financeiros na produção da planta.
O café no Brasil
Devido às nossas condições climáticas, o cultivo de café se espalhou e rapidamente assumiu um lugar proeminente, tornando-se por quase
um século o produto base da nossa economia. A cultura do café fez surgir uma nova sociedade e foi responsável pelo desenvolvimento de importantes
centros urbanos por todo o interior de São Paulo, sul de Minas Gerais e norte do Paraná. A busca pela região ideal para a cultura do café se estendeu por todo o país, se firmando hoje, principalmente, em regiões dos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Espírito Santo, Bahia e Rondônia.
O mercado hoje
Maior produtor e exportador de café no mundo há vários anos, o Brasil, que hoje detém cerca de 30% do mercado mundial, está disputando, particularmente com a Colômbia, terceiro maior produtor mundial, atrás do próprio Brasil e do Vietnã, e que anunciou recentemente a entrada de seus grãos no mercado
brasileiro já no ano de 2010, um novo espaço no mercado mundial: o troféu de líder do mercado de cafés especiais.
Para isso, os produtores brasileiros vêm trabalhando dentro de um rigoroso controle de qualidade, garantindo a exportação de seus produtos para países como Alemanha, EUA, Itália, Bélgica e Japão.
Como resultado desse trabalho, o café brasileiro vem conquistando importantes espaços, como o 4º lugar no Rainforest Alliance Cupping 2009, campeonato do qual participaram fazendas certificadas de 11 países, à frente de grandes produtores como Colômbia, Nicarágua, Honduras, México, Panamá e Etiópia. A
pontuação brasileira foi superada apenas pela Guatemala, que conquistou o primeiro lugar, seguida de El Salvador e Costa Rica.
Uma paixão sem limites
O prazer de tomar um bom café – e a enorme variedade de bebidas e sobremesas derivadas que hoje compõem os cardápios dos verdadeiros
centros de degustação – tem colocado as cafeterias da cidade como uma atração fundamental no roteiro de quem quer curtir o melhor da capital paulista.
A expansão de redes de cafeterias de alto padrão como Santo Grão, Frans Café, Cafeera, Suplicy, Otávio Café, e mesmo as internacionais Starbucks e Havanna Café, foi um ponto de inflexão nesse segmento, ao se colocarem como uma atração voltada também para o público jovem que, de pronto, aderiu à nova moda e conferiu um ar de modernidade à tradição, fixando o novo conceito.
Absolutamente inserido no cotidiano dos paulistanos, o café se coloca ainda como um delicioso complemento para diferentes atividades e atrações de cultura e lazer que a cidade oferece. Hoje podemos degustar um excelente café em locais como livrarias, supermercados e até academias de ginástica, onde há pouco tempo isso seria impensável.

O barista – A arte de um bom café
Esse contexto inovador e sofisticado que predomina nas cafeterias tem colocado o produto em pé de igualdade com outras bebidas supostamente
mais nobres. Da mesma forma como existem as degustações de vinhos, são cada vez mais comuns as degustações de café. Toda essa mudança integra uma nova forma de usufruir desse prazer, desde o local onde se toma a bebida, até as formas de preparo. O desenvolvimento desse conceito trouxe à cena um novo e fundamental personagem: o barista. Um profissional cuja capacidade vai além daquela de saber identificar um bom café. Dono de uma técnica que envolve todos os sentidos, em particular o olfato e o paladar, o barista é responsável por encontrar os grãos perfeitos e a combinação exata de aroma, sabor e corpo na preparação de cafés, cappuccinos e outras bebidas à base de café.Para a nutricionista especialista em café e barista Stella Gross, coordenadora de cafés da Rede Frans Café, o preparo de um bom expresso
exige conhecimento e técnica. “Não se trata de simplesmente colocar o pó de café na máquina e apertar um botão. Existem ao menos cinco segredos que são fundamentais na hora do preparo do café: uma boa máquina de café, um moinho bem regulado, um blend gourmet, um barista bem qualificado e a manutenção adequada dos equipamentos”, enfatiza a profissional.
Tomando como exemplo alguns tipos comuns de café como o café expresso, o café ristretto e o café carioca, a barista afirma que “todas as bebidas são preparadas utilizando-se a mesma quantidade de pó de café; o que muda é apenas a quantidade de água que é utilizada. Quanto maior a quantidade de água, menor será a concentração de óleos aromáticos e açúcares do café”, ensina. Gross destaca, ainda, que algumas dicas simples podem auxiliar a avaliação do café após todo esse processo. “Deve-se observar a consistência, se estiver cremoso é um bom sinal; a cor, geralmente com cor de avelã; aparência tigrada e, por último, se o creme se adere à parede da xícara após a degustação da bebida”.
A saúde e o café
Acusado durante muito tempo de provocar diversos males à saúde, como dependência e muita agitação, o café está mudando essa imagem por outra muito diferente. Estudos realizados pela comunidade médico científica já incluem a planta entre aquelas capazes de prevenir doenças graças às suas características nutricionais e farmacêuticas.
Embora em quantidades reduzidas, o grão de café possui potássio, zinco, ferro, magnésio e diversos outros minerais, além de aminoácidos, proteínas, lipídeos, açúcares e polissacarídeos e ainda uma quantidade significativa de polifenóis antioxidantes, chamados ácidos clorogênicos.
Os benefícios do consumo do café têm atraído tanto a atenção dos pesquisadores que, em São Paulo, dentro do Incor, em uma parceria entre a Fundação Zerbini e da Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café), foi criada uma Unidade de Pesquisa Café-Coração. A proposta é estudar as prováveis eficácias do consumo regular de café e comprovar as teorias de
que a bebida, que possui propriedade antioxidante, pode atuar positivamente no
combate ao colesterol e evitar complicações do coração.
Saboroso e democrático
Segundo maior mercado consumidor de café do mundo, imediatamente atrás do norte-americano, no Brasil nove em cada dez pessoas acima de 15 anos consomem café diariamente, o que coloca a bebida como a segunda com maior penetração na população, atrás apenas da água e bem à frente dos refrigerantes: 97% dos brasileiros tomam ao menos um cafezinho por dia.
Democraticamente presente em todas as classes sociais, o consumo do café só faz se expandir e onde for possível imaginar é possível colocar uma máquina de café, coado ou expresso, ao gosto do freguês. Segundo pesquisa realizada por Celso Vegro especialista no mercado café do Instituto de Economia
Agrícola – IEA, no ano de 2006, apenas na cidade de São Paulo foram consumidas cerca de 25 milhões de xícaras de café por dia. Sendo que desse total 19 milhões de xícaras do tradicional café de coador e 6 milhões de cafés expresso.
Agora, aproveite e sente-se para continuar com a leitura da nossa revista e degustar um bom café. Junte-se a nós!
Kopi Luwak
O indonésio Kopi Luwak – o mais raro e caro do mundo. Naquela região, os
frutos de café são ingeridos por um felino chamado Luwak. Depois de defecadas, as sementes são recolhidas pelas populações locais, lavadas e torradas para o preparo como café expresso. Tem como diferencial o gosto adocicado proporcionado pela quebra de enzimas durante o processo digestivo no animal.
Que tal um cafezinho?
Americano
Café Expresso semelhante ao café filtrado, que leva um pouco mais de água na diluição do pó, mas preserva o sabor do típico Expresso.
Café creme
Café comum com uma camada cremosa do tipo Expresso.
Café Frappé
Meia dose de café forte com meia porção de sorvete.
Café Lungo
Café de “extração-longa”, que permite fluir mais água através do pó, sem exaurir sua essência. É servido nas quantidades de
100 ml e 120 ml.
Café Ristretto
Expresso curto, tirado da “cabeça de extração” da máquina, até a quantidade de 25 ml.
Cappuccino
Um terço de Café Expresso, com a mesma medida de leite evaporado e de creme de leite.
Carioca
Meio Expresso com a mesma medida de água quente, servido
em xícara de 50 ml.
Con Panna
Café Expresso com chantilly.
Demi-tasse
Café Expresso em xícara de café comum.
Doppio ou Duplo
Dose dupla de Café Expresso.
Flavoured Latte
Café com leite aromatizado com cereja, baunilha ou outra essência. Servido em quantidade variável.
Kapuziner
Café preto com um pouco creme de leite.
Pingado
Meia dose de café comum com a mesma medida de leite. Também conhecido como Caffe Latte ou Café au Lait.
Latte Macchiato
Café Expresso acrescido a um copo de leite quente. É uma variação do Cappuccino também conhecida como Latteccino.
Macchiato
Café Expresso com duas colheres de creme de leite.
Mocha
Um terço de Café Expresso com a mesma medida de creme de leite e de chocolate em pó dissolvido.
Romano
Café Expresso servido com uma casquinha de limão.
Schlagobers
Café forte com creme de leite batido.
Schwarzer
Café puro.
Wiener Melange
Meia dose de café comum com a mesma medida de leite morno e chocolate. Também conhecido como Vienense.
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