A aventura do Copersucar Fittipaldi
O sonho de ter uma equipe de Fórmula-1 genuinamente nacional uniu os irmãos Wilson e Emerson Fittipaldi em um projeto que ainda hoje enche de orgulho todos os brasileiros


No ano de 1975, quando a equipe Copersucar estreava nas pistas, a Fórmula-1 era muitíssimo diferente do circo de tecnologia e fantásticos investimentos que predominam hoje. Nessa época romântica, a maior parte das equipes contava com estruturas bastante similares, com o mesmo motor (Cosworth V8), caixa
de câmbio (Hewland) e pneus (Goodyear).
Aparentemente bastava que um construtor desenvolvesse um chassi equilibrado, com boa suspensão e aerodinâmica, e contasse com algum patrocínio, para que pudesse entrar nas pistas com boas condições de vitória.
A prova disso é que nesse mesmo ano, seis equipes diferentes conquistaram vitórias nos GPs realizados - McLaren, Brabham, Ferrari, March, Hesketh e Tyrrell. O problema é que havia diferenças e as equipes iniciantes não
conseguiam equipamentos de ponta. A equipe Copersucar, chefiada por Wilson
Fittipaldi Jr., teve seu primeiro carro projetado por Richard Divila, um carro bonito e arrojado, mas que não conseguia bons resultados.

Um campeão a serviço de um projeto brasileiro

Emerson Fittipaldi estava no auge de sua carreira. Havia sido duas vezes campeão do mundo e vencido 14 GPs, em pouco mais de 60 corridas. Sem dúvida alguma era um dos mais fortes pilotos da sua geração.
Contudo, em 1976, a bordo do Copersucar FD-04, enfrentou grandes dificuldades e não conseguiu repetir seus melhores resultados.
No ano de 1978, o carro FD-05, com uma nova aerodinâmica, tornou-se muito mais competitivo e permitiu que Emerson alcançasse excelentes posições. A equipe terminou o ano na frente de tradicionais marcas como McLaren, Williams, Renault e Arrows, no mundial de Construtores.

Um time movido pelo arrojo e determinação

Na temporada de 1980, a equipe trouxe para a vaga de segundo piloto o excelente finlandês Keke Rosber e conseguiu marcar 11 pontos, terminando
em oitavo lugar, dois à frente da poderosa Ferrari, que ficou em décimo, com oito pontos.
Em seus oito anos enfrentando as mais tradicionais e poderosas equipes do automobilismo mundial, a Fittipaldi conquistou três pódios, entre eles
um segundo lugar conquistado por Emerson Fittipaldi no Grande Prêmio Brasil de 1978, em um total de 44 pontos, em 104 GPs disputados.
Outras equipes, com muito mais estrutura e potencial de patrocínio, como a Jaguar, equipe oficial da gigante Ford, que encerrou suas atividades em 2004 com 49 pontos e dois pódios em 85 GPs, ou a Prost, do também ex-piloto Alain
Prost, que somou 35 pontos em 83 corridas, tiveram resultados bem mais tímidos. A Sauber, em 206 largadas, conseguiu apenas seis pódios.
Além dessas conquistas, a aventura do Copersucar renovou o espírito de competitividade de Emerson que voltou ao automobilismo na Fórmula Indy em 1984. No ano de 1991, tornou-se o primeiro piloto estrangeiro da história a vencer as 500 Milhas de Indianápolis e, provando ser realmente o pioneiro de uma estirpe de campeões, repetiu o feito em 1993.

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