Um raio-x do setor taxista
Com uma frota de 33 mil carros o segmento taxista de São Paulo se
profissionaliza e conquista aprovação dos passageiros

Oserviço de transportar pessoas em grandes centros urbanos é quase tão
antigo como a história da humanidade. Pode-se dizer que foi inaugurado com a invenção do primeiro riquixá – aqueles carros de origem japonesa, com duas rodas, criados para serem puxados por um homem.
Dentro do mundo da modernidade, os primeiros táxis motorizados apareceram no ano de 1896, na cidade de Stuttgart, na Alemanha. No ano seguinte, Freidrich Greiner, um empreendedor local, inaugurou uma empresa concorrente com uma inovação no sistema de cobrança que mudou por completo a história dos
carros de aluguel: o taxímetro.
O primeiro táxi em São Paulo
Apesar do grande sucesso na Europa e EUA, apenas no ano de 1920 surgiu o primeiro ponto de táxi da cidade de São Paulo. Localizado na Estação da Luz, o ponto foi criado para prestar serviços aos barões do café que vinham de trem do interior do Estado, onde estavam localizadas as principais plantações de café.
A partir da década de 30, a cidade já contava com cerca de 100 veículos e nos anos 40 e 50, novos pontos foram se instalando em locaiscomo a Praça da Sé, no Brás, Sorocabana, entre outros.
Da província à metrópole
Diferente da provinciana cidade dos anos 50, a metrópole paulistana se transformou, e hoje, com mais de 10 milhões de habitantes, se caracteriza como um dos maiores conglomerados urbanos do mundo, recebendo por ano, aproximadamente 11 milhões de visitantes. Com uma frota de quase 7 milhões
de automóveis, a cidade conta ainda 85 mil veículos disponíveis para locação e mais 10 mil ônibus urbanos, que disputam ferozmente o espaço cada vez menor das 90 mil ruas e avenidas existente na cidade. Nos últimos dez anos, o número de veículos cresceu 25%, enquanto a infra-estrutura urbana, com a
quantidade de ruas e avenidas, aumentou apenas 6%, segundo dados da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego).
Nesse universo, onde reina o caos no trânsito, a atual frota de 33 mil táxis existente na cidade se coloca como uma das mais racionais alternativas de transporte público para os paulistanos e visitantes.
Um segmento dedicado a prestar o melhor serviço
Classificados em cinco diferentes categorias: Comum, Comum- rádio, Especial, Luxo e Executivo, a frota de táxis paulistana prima pela qualidade dos veículos que coloca à disposição dos passageiros e pelo intenso trabalho de formação e qualificação dos motoristas, quea cada dia vem conquistando novos níveis de excelência na prestação de serviços. Publicações internacionais já colocam a nossa frota entre uma das três melhores do mundo.
Esse processo vem se intensificando nos últimos anos, graças ao trabalho realizado por empresas e instituições como a São Paulo Turismo (SPTuris),
empresa de turismo e eventos da cidade de São Paulo, também pelo São Paulo Convention & Visitors Bureau – SPCVB, Fundaçãomantida pela iniciativa privada
que busca ampliar o volume de negócios e o mercado de consumo na cidade, além do Sindicato dos Taxistas.
As frotas e as Cooperativas
Para atender essa gigantesca demanda por transporte, a cidade dispõe de diferentes formas de organização do setor taxista. São 44 cooperativas e associações, com um total de 4.754 veículos, segundo dados do Departamento
de Transporte Público - DTP, além de 59 empresas de frotas, que oferecem 4.030 veículos, perfazendo aproximadamente 27% do total de táxis da cidade.
Segundo Ricardo Auriema, presidente da ADETAX – Associação das Empresas de Táxi de Frota de São Paulo, o trabalho das frotas se realiza na prestação de serviços aos passageiros e na participação ativa no desenvolvimento do setor. “As frotas cumprem um papel importante no transporte individual de passageiros, conduzindo cerca de 2 milhões de pessoas /mês na cidade. Além disso, contribui de forma objetiva com o taxista iniciante e também com
aqueles mais experientes. Por ano, centenas de taxistas que têm seu próprio táxi recorrem às frotas em momentos como colisões, furtos ou mesmo enquanto trocam de carro”, enfatiza.
Uma categoria em desenvolvimento
Fundamentais para garantir uma melhor condição do transporte público na cidade de São Paulo, os profissionais taxistas têm mostrado um forte amadurecimento em relação à gestão do negócio de táxi na cidade,
com uma consequente e significativa melhoria na qualidade do serviço prestado. Sintonizado com as demandas do setor, o presidente do Sindicato
dos Taxistas de São Paulo, Natalício Bezerra, fala da mudança de perfil que a categoria realizou nos últimos anos. “Mesmo enfrentando o desafio de um trânsito caótico e de uma cidade cada vez mais violenta, os taxistas a cada dia conquistam mais a aprovação dos passageiros e de toda indústria do turismo. Isso tem possibilitado a realização de importantes parcerias para intensificar esse processo”, pondera
Nesse contexto, a participação feminina também tem sido muito relevante. Segundo dados do DTP, existem hoje na cidade 2.699 táxis que são conduzidos
por mulheres. A psicóloga e educadora Claudia Reggiane, que pesquisa a inserção da mulher no mercado de trabalho, ressalta a importância dessa participação. “As mulheres, com sua tradicional dedicação e responsabilidade em relação ao trabalho, com certeza irão contribuir para acentuar ainda mais as mudanças em curso no segmento taxista, pois, além de serem cuidadosas no trânsito, inspiram maior confiança para os passageiros”, f nalizou.
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