Museu Gaetano Ferella
A memória viva do transporte público na cidade de São Paulo

 

Dá pra imaginar a cidade de São Paulo tendo como meio de transporte bondes
puxados por tração animal, ou depois apenas três linhas de bonde elétrico? Hoje é impossível, mas era esta a realidade nos anos de 1940, quando Pedro Dias chegou à cidade de São Paulo em busca de trabalho. Com 81 anos de idade, ele lembra do tempo em que São Paulo era conhecida como a terra da garoa. “São Paulo era São Paulo da garoa. Eu largava o serviço a uma hora da manhã e atraves sava a cidade para chegar em casa. Não existia ladrão, não existia assaltante; as pessoas que você via na noite eram aqueles que trabalhavam na noite, tocando em boates. Na madrugada, o que se via nas ruas era esses trabalhadores e nós, empregados chapéu de bico”, relembra o ex-motorneiro. Estes empregados chapéu de bico, aos quais Dias se refere, eram ele e seus companheiros de trabalho, os primeiros funcionários da antiga
CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos, andando por uma cidade onde não havia congestionamentos nem violência.

A história de São Paulo através do transporte

A história dos transportes coletivos em São Paulo passou a ser registrada no ano de 1865 quando o italiano Donato Severino publicou em jornal uma tabela de preços para carros de aluguel e alguns trajetos definidos. Nesta época, a concentração de pessoas ficava entre as ruas Direita, do Rosário e São Bento, locais onde residiam as famílias mais ricas. Lugares como Brás, Santo Amaro e Penha estavam se formando e para chegar até eles era preciso alugar um carro de boi. Para preservar e passar adiante essa romântica imagem da cidade de São Paulo, Gaetano Ferella, ex-funcionário da CMTC, tomou a iniciativa
de fundar o Museu do Transporte Público. Inaugurado em 1985 e atualmente administrado pela SPTrans, empresa que sucedeu a CMTC na gestão do transporte público na cidade, o Museu, que leva hoje o nome do seu fundador, conta com um acervo rico em imagens, documentos, objetos e veículos que registram a evolução dos coletivos e também da cidade.

Acervo rico guarda preciosidades

Memória viva desse tempo, o cobrador de bondes Atico Amaral Paixão lembra as dificuldades de cobrar os passageiros dentro dos bondes abertos. “O bonde camarão carregava 160, mas chegava a levar 230 passageiros. O cobrador tinha de fazer das tripas o coração. Por exemplo, o bonde aberto, chamado Minas
Gerais, usava dois cobradores, um para o bonde e outro pra o reboque. Mas mesmo assim tinha muita carona, ‘nego’ pulava bastante (sic).” Enriquecido por doações de colecionadores e instituições, o Museu Gaetano Ferella guarda
preciosidades. Lá, podemos encontrar o primeiro bonde a circular no Brasil e também o primeiro trólebus de fabricação nacional. No total são sete veículos e cerca de 1.500 fotos e livros que retratam o cotidiano paulistano entre os anos
de 1876 a 1960. Além de móveis, objetos e documentos sobre a evolução do transporte urbano. Funcionando de terça a domingo, das 9h às 17h, o Museu tem entrada franca e é um passeio imperdível para quem deseja conhecer e
acompanhar a transformação da cidade de São Paulo e seus caminhos pela história.

IR PARA O SUMÁRIO DESTA EDIÇÃO

PÁGINA INICIAL