A melhor escola que o seu filho pode ter!
Nada supera a participação dos pais e um harmonioso convívio familiar para garantir uma vida escolar com total excelência

Qual a melhor escola para o seu filho? Como escolher? Quais critérios devem
ser levados em consideração na hora de preparar o jovem ou a jovem para sua futura carreira profissional e atuação como cidadão autônomo e socialmente consciente? Essa é uma decisão que a cada dia ganha mais importância no contexto familiar, face ao novo papel que a escola vem assumindo na vida das crianças e jovens, tanto na sua ação complementar à família, estabelecendo valores e princípios sociais e de cidadania, como também na adequada formação e capacitação para um novo mercado de trabalho, altamente
tecnológico e competitivo.
A educação começa em casa
Mesmo em pleno século XXI, mergulhados nesse mundo de tecnologia e informação, o tradicional ditado popular “a educação começa em casa” continua atualíssimo e reflete de forma objetiva o que buscamos para os nossos filhos. Contudo, nesse contexto, conhecer a escola e ouvir atentamente o que
cada instituição propõe é uma atitude importante para quem procura uma educação de qualidade. Sintonizado com essa idéia, o Dr. Adilson Souza de Araújo, da Faculdade de Educação da PUC/SP, pondera sobre alguns indicativos que podem nortear essa escolha. “Um ponto imprescindível é que os pais possam se sentir tranqüilos para confi ar seus filhos à escola. Empatia e bom senso podem ser um bom começo, mas, depois, acompanhar o desenvolvimento do filho é o que mais importa: a criança está mais segura? Seu vocabulário está se ampliando? Ela demonstra ter tido a curiosidade aguçada pelas atividades da escola? E, mais importante: ela demonstra interesse e prazer em ir para a escola?”. Com uma visão bastante crítica acerca da qualidade do ensino praticado nas escolas públicas e privadas do Brasil, o Dr. Vitor Paro, da Faculdade de Educação da USP, fala da importância de se encontrar um projeto educativo sintonizado com as expectativas da família. “A função da escola é levar os alunos a querer aprender. Raríssimas escolas fazem isso. Os pais devem buscar uma escola que os ouça com atenção, que seja capaz de receber reclamações e críticas sem uma justificativa pronta, que não veja os alunos e suas famílias apenas como clientes, que incentive a pesquisa, a arte, o uso do corpo, que respeite a criança e, principalmente, uma escola onde não seja proibido brincar”.
A escola do futuro
Muito se fala hoje sobre descobertas neurológicas e de como estimular todas as potencialidades que a criança tem. Qual o melhor momento para o aprendizado de uma língua estrangeira, o esporte, as artes? A psicóloga
e educadora Cláudia Regianne, que atua com projetos de alfabetização através da música, afirma que é preciso evitar excessos. “Por vezes, colocamos nossas crianças numa maratona de aulas e atividades disso e daquilo e não sobra tempo para ‘o brincar’. Através desse brincar a criança vai aprender a
lidar com o mundo interno e externo, desenvolver um sentimento de segurança de estar no mundo”, enfatiza a terapeuta. Dentro desse mesmo contexto, a Dra. Patrícia Junqueira Grandino, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, ressalta a importância de que os pais perguntem quais
são as disciplinas oferecidas e a maneira como o trabalho escolar é realizado. “São diversas as metodologias de ensino e não é necessário que os pais sejam ‘experts’ em educação, mas que considerem se a distribuição de matérias, seus conteúdos, quantidade e tipos de tarefas são compatíveis com os princípios da família e as condições de organização doméstica”, argumenta.
A criança e o jovem como “sujeitos” nas escolhas
Respeitar as opiniões e percepções das crianças e dos jovens em relação ao ambiente escolar, transferindo junto com isso o senso de responsabilidade em relação às suas escolhas e respeito pelo outro, é apontado como uma etapa fundamental pelos especialistas para que se possa ter sucesso no processo educativo. “Reconhecer o temperamento da criança e levá-lo em consideração na escolha é importante. Quanto maior a criança, mais sua opinião deve ser levada em consideração, lembrando que as amizades são elementos fundamentais para o seu pleno desenvolvimento”, declara a Dra Grandino.
Essa posição é partilhada pelo Dr. Araújo, que enfatiza sua importância no desenvolvimento e construção do projeto de vida do jovem. “Com o passar do tempo é possível - e esperado - que os filhos comecem a ter maior infl uência em seus próprios destinos. Os pais, com a observação atenta, vão descobrindo melhor seus filhos e os jovens vão descobrindo melhor sua própria personalidade e inclinações - humanísticas, artísticas, intelectuais, esportivas - e podem participar ativamente das escolhas e decisões sobre sua educação”.
Não basta ser pai: tem que participar!
Acompanhar atividades, participar do cotidiano, ouvir com atenção desde os relatos sobre situações com os colegas, brincadeiras, descobertas e discussões são outras ações que, segundo a Dra Grandino, devem ser colocadas em prática. “Não devemos subestimar o que lhes acontece com frases do tipo: “isso é coisa de criança”. Para eles é importante que lhes dediquemos atenção, que possamos escutar com interesse e ouvilos”, afirma a educadora. Segundo o Dr. Adilson Araújo, não basta apenas escolher uma boa escola e acreditar que todos os problemas estarão resolvidos e o futuro do seu filho assegurado. “A participação dos pais com o processo educativo dos
filhos deve ser algo muito mais presente do que simplesmente ir às reuniões da escola. Participar é aproveitar as oportunidades do cotidiano para dar sentido ao que se aprende na escola. Isso não significa esquecer que criança é criança e adolescente é pura experimentação, mas ter a sensibilidade para explorar as situações para aprender junto. As crianças e os jovens sinalizam o tempo todo
para essas oportunidades. O maior pecado é matarmos a curiosidade”, finaliza.
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