Nissei, Nutricionista e Motorista de Táxi!
BRASILEIRA, DESCENDENTE DE JAPONESES, MIRIAN AKEMI É UM EXEMPLO DE FIBRA E DETERMINAÇÃO
Por Waldir Martins

“Sempre carrego revistas no carro para que o passageiro possa ter uma viagem menos estressante”

Miriam Akemi
Onde mora: Pinheiros
Profissão: taxista

Separada, mãe de três filhos e avó de um neto, essa filha de granjeiros, que ao chegarem do Japão foram se estabelecer no bairro de Santo Amaro, na divisa com a cidade de Diadema, encontrou na atividade de taxista a maneira de consolidar sua trajetória profissional e proporcionar estabilidade à sua família.
“Formei-me em nutrição pela USP (Universidade de São Paulo) e trabalhei nessa área durante dois anos, mas após o casamento optei por deixar o trabalho e cuidar da minha família. Com a separação, fiquei sem opção profssional e, seguindo a sugestão de um amigo, terminei por assumir o táxi, onde estou há quase dez anos. Em junho desse ano completo dez anos”, ela relata.
Acostumada desde menina a lutar para alcançar suas metas, Akemi fala da importância de agarrar as oportunidades para realizar seus objetivos. “Eu montei o meu táxi. Eu tinha um Pálio branco e montei o táxi. Nessa época eu não tinha ponto, trabalhava na rua e foi um começo muito difícil. Depois de um ano eu consegui um ponto e troquei de carro. Comprei uma Parati, depois um Pálio Weekend e atualmente estou com uma Zafira”.
Sensível e comprometida com o seu trabalho, Miriam Akemi traz diversas recordações de sua trajetória como profissional de táxi. “Lembro claramente a minha primeira corrida. Estava na avenida Paulista, e com muito medo de pegar um passageiro, quando uma senhora idosa deu o sinal. Disse a ela que era a minha primeira cliente e que não estava acostumada a trabalhar na praça. Ela pediu que a levasse para a Aclimação e que não me preocupasse pois ela indicaria o caminho. Foi a minha primeira cliente e eu não esqueço nunca”
Profissional meticulosa e atenta aos detalhes, Akemi mostra muita preocupação com sua condição de trabalho e também dos passageiros. Por isso está sempre em busca de alternativas que possam minimizar os problemas gerados pelo trânsito caótico da cidade. “Uma coisa difícil é quando o passageiro está muito estressado e precisa chegar com maior rapidez ao destino. Temos que administrar e atender o melhor possível. Para minimizar, carrego revistas no carro para que o passageiro possa ter uma viagem menos estressante e deixo o rádio com um volume bem baixo. Sempre ajuda”.
Esse contato com o público é um dos fatores que mais trazem satisfação profissional para Akemi, que acredita que cada passageiro é particular e deve ser tratado sempre de modo especial. “É muito gratificante quando você conversa com as pessoas e elas reconhecem o seu trabalho. Ou então, quando se viram para você e dizem: ‘que legal, você conseguiu!’ Isso é muito bom mesmo”, ela comemora.

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