A aventura que ajudou a construir um novo país
O DIA 18 DE JUNHO DE 1908 MARCOU O INÍCIO DE UMA ÁRDUA HISTÓRIA QUE MUDOU A FACE DE DOIS POVOS E FORJOU UMA NOVA SOCIEDADE
Por Waldir Martins
Guia rápido
- Introdução
- No centenário, uma nova liberdade
- Bom Retiro terá centro esportivo-cultural Brasil-Japão
- A Arte dos Xóguns na Pinacoteca
- A arte do Taikô conquista adeptos no Brasil
- A deliciosa gastronomia japonesa
- O Paraíso tem nome e endereço
- Uma volta pelo Japão de São Paulo: Durante o dia
- Uma volta pelo Japão de São Paulo: Durante a noite
O Brasil Japonês: Depoimentos
A história da integração Brasil-Japão se renova diariamente através da ação de seus inúmeros personagens, que continuam a aventura de superar dificuldades em busca do objetivo de construir uma vida e uma sociedade melhor e mais justa. Apresentamos abaixo o depoimento de algumas dessas personalidades.
Psiquiatria e educação

Meu tio foi taxista e meu pai também exerceu a profissão por um período de tempo, até se tornar um monge budista. Meu primeiro carro foi um táxi, mas não cheguei a ser taxista. Minha idéia foi a de fazer o Curso de Medicina durante o dia e depois “fazer umas corridas”. Entretanto, fui orientado para contratar um taxista-diarista. No meu coração ainda pulsa o sangue japonês, mas nos meus filhos já corre o sangue que integra o Japão e o Brasil.
Dr. Içami Tiba - Psiquiatra e educador
Design

À medida que as famílias começavam a ganhar mais dinheiro, deixavam suas casas mais parecidas com os padrões brasileiros da época. Isso era sinônimo de “status”. Vejo aqui essa problemática que marcou o japonês e seus descendentes ao se afirmarem como japoneses no Brasil: ora negando suas raízes, ora lutando para preservá-las. Isso também aconteceu com a língua e outros costumes.
Fernando Uehara, 38 anos - Designer
Teatro e mímica

Já sou da terceira geração, e ser ator/mímico/circense no Brasil com a mistura das duas culturas é uma coisa muito legal. Quando estive na França, num circo, um cara achou muito esquisito eu dizer que era um brasileiro, com essa cara de japa. Aí ele falou para eu sambar para provar que eu era brasileiroautêntico. Foi um samba com uma pitada de karatê. Acho que o francês não se convenceu muito, mas foi a mais perfeita expressão da minha identidade.
Newton Yamassaki, 36 anos Mímico e ator circense
Artes marciais

Depois de nove anos no Japão, consegui subir para a elite do sumô. Na luta decisiva estava completamente focado e consegui seguir o conselho do meu mestre: “Não pense em ganhar, pense em fazer uma luta bonita, enfrente seu adversário”. E tudo deu certo. Voltei ao Brasil e inaugurei o Restaurante Bueno. Hoje sei que a melhor contribuição que os imigrantes trouxeram para o Brasil foi a dedicação para realizar seus objetivos.
Fernando Kuroda, 38 anos Lutador de sumô e empresário
Educação

A verdadeira educação não pode estar dissociada do processo de formação cultural, pois somente dessa forma conseguimos formar indivíduos autônomos, solidários, conscientes de seus diretos, responsabilidades e valores éticos.
A preservação e divulgação desses valores foram a maior contribuição que os primeiros imigrantes nos legaram, em um ensinamento de pai para filho.
Cazue Tsujisawa , 36 anos - Educadora
Atletismo

Na edição de 2008 da BR 135, que faz parte da Copa do Mundo de corridas de 135 milhas, encerrei a prova em 10º lugar no geral, como a única mulher no Brasil a conseguir terminar a prova. O ser humano não tem limites. Você supera um obstáculo, vem outro e você também supera. Hoje me sinto mais brasileira do que japonesa, mas, ao mesmo tempo, tenho muito orgulho de tudo que os japoneses e os descendentes fizeram e continuam fazendo pelo Brasil.
Tomiko Eguchi, 57 anos - Ultramaratonista
voltar 1 2 3 4 5
IR PARA O SUMÁRIO DESTA EDIÇÃO
PÁGINA INICIAL |