O pneu nosso de cada dia
10 RESPOSTAS PARA TODAS AS PERGUNTAS QUE VOCÊ TINHA SOBRE PNEUS
Por Ivan Fonterón
7. Como eu sei quando é a hora certa de trocar o pneu?
Olhando para o “ombro” do pneu, logo acima da lateral. Por determinação legal, todos os pneus trazem uma marca, na verdade um alerta, que só se pode ver quando os sulcos atingem a profundida de 1,6 milímetros. É sinal de que o pneu já está careca e pode causar sérios acidentes. Além disso, é ilegal dirigir com pneus nesse nível de desgaste, e o carro pode ser apreendido. A maioria dos fabricantes traz a sigla TWI (Tread Wear Indicator) como indicador de desgaste, mas o alerta também pode aparecer na forma de triângulos ou de pontos vermelhos.

8. Qual é a diferença entre pneu recapado, recauchutado e remoldado?
Todos eles fazem parte dos chamados pneus reformados, ou seja, pneus usados que passaram por algum tipo de renovação. No pneu recapado, a banda de rodagem (a parte que toca o chão, aquela das riscas) é substituída por uma nova. Este tipo de reforma é usada só em ônibus e caminhões.
No pneu recauchutado, a troca se estende até os “ombros”, enquanto no pneu remoldado (ou “remold”, como dizem), a banda de rodagem, os ombros e toda a lateral recebem uma nova camada. Como uma reforma maior, o pneu remoldado é o mais caro de todos.
9. Devo comprar sempre pneu novo?
Os especialistas no assunto são categóricos: pneu bom é pneu novo. Mas como competir com um produto que pode chegar a custar a metade do preço? Ana Carolina Matragrano Guimarães, comerciante que há 14 anos trabalha no comércio de pneus, reconhece: “Com a situação financeira em que vive o país, hoje muitos motoristas optam por pneus de segunda linha, ou mesmo remoldados ou recauchutados. Isto aumenta o risco de acidentes.”
Ela se refere ao fato de que, nos pneus reaproveitados, os reparos costumam comprometer o desempenho do veículo, a tal ponto que podem comprometer inclusive a sua segurança. É verdade que a qualidade dos pneus remoldados vem melhorando a cada dia, mas não há nada como a tradição centenária que está por trás das grandes marcas. Pneus novos custam mais caro, mas certamente trazem menos dor de cabeça.
Há uma opção intermediária, que é a de comprar pneus novos de segunda linha, também vendidos pelos principais fabricantes. A garantia é a mesma, de 5 anos, mas são produtos feitos com materiais de qualidade inferior. Os próprios fabricantes alertam que o preço está diretamente relacionado à qualidade. Custam em geral 40% mais baratos, mas também são 40% piores.
10. Para onde vai um pneu usado?
O destino dos pneus é uma questão que preocupa não apenas os ambientalistas, mas também os fabricantes. Todo ano, o número de pneus jogados fora no Brasil chega a 35 milhões. Uma parte vai para aterros sanitários, mas o custo é muito alto, pois o pneu precisa ser desintegrado para não ocupar tanto espaço. Outra parte, ainda pequena, é destinada à reciclagem. O resto, porém, fica abandonado a céu aberto.
Estima-se que haja mais de 100 milhões de carcaças espalhadas pelo Brasil. Cada uma delas levará 50 anos para se decompor. Enquanto isso, será criadouro de mosquitos transmissores da dengue e, quando queimada, liberará uma fumaça tóxica que acelera o efeito-estufa e contamina os rios.
Parte do problema começou a ser resolvida em julho deste ano, quanto o governo brasileiro obteve uma grande vitória numa disputa travada na Organização Mundial do Comércio: a lei que obrigava o país a importar pneus remoldados vindos da Europa foi derrubada.
Para fabricantes e governos europeus, o modelo era uma excelente solução; além de lucrarem com isso, ainda exportavam o lixo deles para os países em desenvolvimento, especialmente o Brasil. Nós chegávamos a comprar em torno de 10 milhões de pneus europeus usados por ano.
Ainda assim, nosso país continua com o incrível número de 1 milhão de toneladas em pneus velhos para se desfazer. Diante disso, a questão central é: como garantir uma utilidade econômica para o pneu usado sem agredir o meio ambiente? Esta é uma pergunta que vem sendo feita em todo o mundo.
Algumas respostas já surgiram, e elas vieram cheias de criatividade: de arrimo para muros a solado de sapatos, de uso para pavimentação a brinquedos, de objetos de decoração a ferramentas, e até como material para escultores e artistas plásticos.
No Brasil, empresas, ONGs, escolas e prefeituras têm se mobilizado para coletar pneus velhos junto à população e mandá-los para a reciclagem. Para quem tem interesse, algumas prefeituras mantêm postos de coleta (em São Paulo, ligue 156 para saber onde fica o posto mais perto da sua casa). Algumas empresas também possuem esse serviço, mas só fazem a retirada em grande quantidade. Veja que interessante: você pode ampliar a vida dos seus pneus mesmo quando já não lhe servem mais.

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